Para garantir a sustentabilidade e competitividade da soja no País, dois fatores são preponderantes: o fortalecimento político e organizacional dos produtores e a maior diversificação da pesquisa. Esta é a opinião do consultor da Embrapa Soja, Arnaldo Veras, que acredita nas condições que o Brasil tem de competir em igualdade e até ter produtos superiores aos dos Estados Unidos.
Arnaldo Veras fez palestra em Londrina, na última semana, quando participou da 20ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil. Foi destacado também que a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras e a melhoria dos sistemas de transporte são condições prioritárias.
‘‘No Brasil, os produtores são o elo mais fraco da cadeia produtiva, o que torna o produto suscetível aos preços impostos pelos compradores’’, argumenta. A organização do setor vai permitir igualdade de condições entre todos os componentes da cadeia produtiva. ‘‘Isso fortalece o produto nacional e garante a competitividade com a soja de outros países’’.
UniãoArnaldo Veras sugere a união dos produtores de soja brasileiros em uma associação similar à Associação Americana de Produtores de Soja (ASA). É uma organização politicamente forte e que ‘‘dita as regras para a soja naquele país’’. Segundo o consultor, um primeiro passo para que essa associação se consolide no País é a aglutinação das fundações de pesquisa já existentes. ‘‘Temos exemplos claros, em que os sojicultores se unem, formam uma fundação que promove a pesquisa, ganham em produtividade, mas não tem força suficiente para negociar’’, explica.
A organização efetiva dos produtores possibilita estratégias que promovem o produto brasileiro no exterior. Segundo ele, os agricultores podem ser protagonistas da melhor qualidade e produtividade da soja. Ao mesmo tempo, não ficam tão dependentes do mercado e podem diversificar os investimentos, como a bolsa de mercadorias de futuros. Veras defende, também, que empresas de pesquisa, como a Embrapa, participem da formação dessa associação.
Agregar valoresA pesquisa brasileira deve ampliar o leque de ações. Ou seja, sair de ‘‘dentro da porteira’’ e começar a dedicar-se a outras áreas da cadeia produtiva. Agregar valores ao produto agrícola. Nos Estados Unidos, a estratégia é ampliar o mercado interno, criando demandas para produtos de soja. ‘‘Isso deve também acontecer no Brasil’’.
Para Veras, a pesquisa deve gerar novos produtos derivados de soja, como já está acontecendo em outros países, com a criação plásticos e embalagens. E nesse aspecto a associação dos produtores terá também grande importância. ‘‘Não adianta falarmos em novas pesquisas, sem recursos’’. Veras defende a formação de um fundo de verbas que dê sustentação à pesquisa. ‘‘Esse fundo deve, necessariamente, ter participação dos produtores. Assim funciona em outros países, com sucesso’’.
Mais pesquisaApesar de incentivar a diversificação da pesquisa, Veras julga necessário dar continuidade ao desenvolvimento e refinamento de tecnologias de cultivo, que ampliem a produtividade das lavouras e dar sustentação tecnológica às áreas de expansão. Na região Sul, tradicional no cultivo de soja, a pesquisa deve gerar técnicas que incentivem o plantio direto e a rotação de culturas. ‘‘A recuperação dos solos é fundamental’’.
Esses são alguns aspectos, segundo Veras, que vão dar sustentação à produção brasileira de soja. ‘‘Podemos assim atingir nosso potencial produtivo e econômico’’. Ele explica que o Brasil vai ter papel fundamental na produção de alimentos no próximo milênio. ‘‘O Brasil e a Argentina serão os ‘celeiros’ do mundo’’. Veras defende também a determinação de estratégias políticas para a produção de oleaginosas no Brasil.
Segundo ele, é necessário investir também em outras culturas, como o girassol, que produz o óleo mais consumido na Europa. ‘‘Ou seja, temos mercado e todas as condições de investir nessa cultura’’, argumenta. ‘‘Mas todas essas decisões têm que passar por um respaldo nacional, serem definidas e assumidas politicamente’’, finaliza.

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