A morte de plântulas que tem ocorrido, nesta safra, em alguns locais do Paraná e São Paulo não possui uma causa específica, mas mostra a ocorrência de uma interação de fatores, desencadeados pela ocorrência de chuvas frequentes e de grande intensidade, provocando excesso de umidade no solo e
concentrando muita água, principalmente, logo após a semeadura e a emergência das plantas.
Esse excesso de chuvas levou a uma condição de baixa aeração do solo e consequênte morte de raízes. A morte poderia ser tanto pela falta de oxigenação quanto pela pré-disposição ao ataque de fungos que vivem no solo e que, em condições normais, não causariam o dano na intensidade observada.
Os fungos presentes no solo aproveitam-se dessa situação e penetram nas suas raízes, através dos ferimentos naturais, provocando a morte da raiz principal. Portanto, o ataque de fungos é uma conseqüência e não uma causa do problema.
De acordo com levantamento feito nos laboratórios da Embrapa, os fungos mais isolados dessas raízes foram Sclerotium rolfsii, Rhizoctonia solani e Fusarium sp. É importante observar que os fungos do solo são, geralmente, saprofíticos, que retiram da matéria orgânica em decomposição, nos solos, a fonte de energia que precisam. No entanto, ao encontrarem plantas novas, eles optam pelo melhor alimento e acabam por infectá-las.
Além disso, a falta de aeração do solo tem contribuído para a estagnação no crescimento radicular das plantas, com consequente baixa taxa de crescimento das plantas. Esse fato tem promovido desenvolvimento desuniforme das lavouras.
Outro ponto que deve ser levado em consideração é o nível de vigor do lote de sementes. A semente para ser comercializada deve ter 80% de germinação. Dois lotes com a mesma germinação podem ter vigor completamente diferente. Sementes com vigor inferior demoram mais para germinar e a plântula emergir.
Práticas agrícolas de manejo do solo incluindo rotação de culturas, preparo adequado do solo para adaptá-lo ao sistema de semeadura direta, redução de compactação e sementes com alto vigor e germinação, contribuem para diminuir esses problemas. No entanto, em situações atípicas e extremas, como as verificadas neste ano, nem mesmo práticas adequadas de manejo podem resolver plenamente o problema.
 Os autores são pesquisadores da Embrapa Soja, de Londrina.

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