Pesquisa fez Brasil ser campeão em produção
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Com um volume de 49,7 milhões de toneladas na safra 2003/04, o Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo só perde para os Estados Unidos, com 65,8 milhões/t mas é disparado o primeiro país em produtividade (kg/hectare). Considerando-se o período de 1990 a 2003, quando a soja se expandiu de vez para o Centro-Oeste, hoje a principal região produtora do País, o ''Foi um aumento vertiginoso. Isso não existe, a estas taxas, em lugar nenhum no mundo'', sentencia o pesquisador Antônio Carlos Hoessing, da área de economia rural da Embrapa Soja. Ele compara que, no mesmo período, os EUA tiveram um aumento de produtividade de apenas 1,16% ao ano e que a taxa mundial foi de 1,43% ao ano.
Segundo ele, este incremento só foi possível graças à pesquisa desenvolvida ao longo de décadas pela Embrapa Soja, principalmente no sentido de estudar cultivares que se adaptassem ao clima quente do Cerrado brasileiro, hoje a região mais promissora para o plantio do grão: é onde mais se produz e onde está a maior área plantada da cultura, com destaque para o Mato Grosso, o primeiro produtor nacional ultrapassou o Paraná na safra 99/2000 e daí em diante não parou mais de expandir a área. O Mato Grosso responde hoje por quase 1/3 da produção nacional, com 15 milhões de toneladas/ano, enquanto o Paraná está na casa das 10 milhões de toneladas.
O Cerrado brasileiro é o eldorado da soja por possuir um regime pluviométrico altamente favorável aos cultivos de verão como é o caso da soja e as chuvas são bem distribuídas ao longo da estação; ao contrário do Sul, que frequentemente sofre com secas no verão. E no Centro-Oeste a topografia é plana, o que permite a mecanização de toda a área.
Com todos esses itens favoráveis, os pesquisadores da Embrapa não mediram esforços para encontrar variedades de soja resistentes ao calor da região central, uma vez que o grão, originário da China, foi introduzido no Brasil em regiões de clima temperado, no Sul. Mas a instituição sabia que o Cerrado era a nova fronteira agrícola brasileira, pois dispunha de terras a um preço bem mais baixo que nos Estados do Sul, e que iria alavancar a produção brasileira quando a soja estivesse adaptada à região. Foi o que aconteceu com extrema rapidez a partir de meados da década de 90. Na última safra (2003/04), 64% da soja brasileira foi colhida no Cerrado.
O Centro-Oeste só sofria com acidez do solo, o que sempre exigiu aplicação de calcário para a sua correção, além de adubação que compensasse a falta de fósforo e potássio.
Maior competitividade ''Considerando os últimos 30 anos, desde que a Embrapa Soja surgiu, em 1975, o avanço mais visível foi o salto da produção nacional, que era de 10 milhões de toneladas na época e hoje é de 50 milhões de toneladas'', ressalta Hoessing. ''Mais do que isso, o grande avanço foi na produtividade, o que garantiu maior rentabilidade e competitividade do produtor nacional no mercado externo'', acrescenta.


