Pesquisa é o caminho para a nova era da cafeicultura
A pesquisa poderá ajudar muitos produtores paranaenses a se manterem na atividade. Segundo Armando Androcioli, diretor de pesquisas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), um sistema de produção intensivo, somado à mecanização, pode tornar a atividade novamente competitiva. "Os produtores precisam trabalhar em conjunto para modernizar as suas lavouras", enaltece.
Ele completa que o Iapar vem trabalhando em variedades mais produtivas e resistentes às principais doenças que causam a redução na produção, a exemplo da ferrugem que ataca as plantas cafeeiras. Além disso, outra característica desenvolvida são plantas de menor porte para facilitar a inserção de maquinários. "A pesquisa está focada na mecanização e na qualidade", completa o especialista.
Androcioli explica que o Iapar também trabalha na questão do manejo adequado de solo, controle biológico, entre outras ações que visam melhorar a competitividade do setor. Ele lembra que mais de 80% das lavouras estão com algum desequilíbrio nutricional. Atualmente, o Iapar possui em torno de seis variedades com alto potencial produtivo. Um exemplo é a IPR 107, cujo porte chega a dois metros de altura. Além disso, a variedade possui alta rusticidade, adaptando-se bem em regiões de clima mais adverso.
O especialista completa que o café não deve desaparecer do Paraná, mas sim se profissionalizar ainda mais dentro de um sistema de diversificação com outras culturas. Yassumassa Asami, produtor de uma área de sete hectares na região de Marialva (Norte), só consegue manter a propriedade porque produz cereais. Especializado na produção de cafés especiais, Asami ainda não adotou a mecanização, mas destaca que ela é a única alternativa para elevar a competitividade do setor.
Números
Ao todo, segundo dados do Deral, o Paraná possui em torno de 10 mil produtores. O Estado deve colher neste ano 650 mil sacas de café beneficiado, volume 61% menor se comparado a 2013, quando foram colhidas 1,63 milhão de sacas. Em função das intempéries, muitos agricultores erradicaram os pés de café. (R.M.)





