Pesquisa deve ampliar discussões
Para a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp) o estudo do Iapar chega na hora certa mas não deve ficar só nisso. ''Incentivamos que o estudo não pare por aí. A recomendação é importantíssima mas é limitada e pega apenas parte da realidade brasileira'', considera Ricardo Ralisch, 1º secretário da Febrapdp.
Segundo ele, a entidade nunca recomendou nem concordou com a retirada dos terraços. Representantes da federação, acrescenta o secretário, discutiam internamente o assunto com os produtores, alertavam sobre a falta de terraceamento que é muito grave. ''E umas das ações era justamente incentivar os órgãos de pesquisa e colocar o tema em discussão'', destaca.
Ralisch conta que a explicação que alguns produtores dão para a retirada dos terraços é a de que já adotam o SPD e que a prática, então, não se faz mais necessária. Mas, conforme ele, nunca houve indicação nesse sentido, pelo contrário. ''O SPD quando bem feito diminui o potencial de erosão, aumenta a infiltração do solo e o impacto da chuva causa menos desagregação do solo. E os terraços fazem parte desse processo'', observa, elecando que o SPD mudou muitos conceitos na agricultura, como as formas de adubação e a prática de rotação de culturas.
Certificação
Entre as estratégias da Febrapdp está a certificação de produtos de agricultores que adotam boas práticas. ''Em um curto espaço de tempo se tornará realidade'', avisa Ralisch. A ideia, segundo ele, é reconhecer bons trabalhos na área do agronegócio, como já acontece em setores como o da agricultura orgânica. ''E é uma tendência concreta'', destaca o secretário da federação, lembrando que mercado como o dos Estados Unidos já têm experiência com isso.
E reforça que a agricultura presta serviços ambientais, quando bem feita. ''O SPD, por exemplo, protege solo, água, contribui para a absorção de CO2 da atmosfera, cria biomassa vegetal que se transforma em matéria orgânica para o solo. E isso pode ser reconhecido'', conta. (E.Z.)





