Pesquisa de''Genoma Bovino''terá rede nacional
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Cristina Côrtes<br> De Londrina 
A capacidade de produzir mais leite e a resistência à mastite são alguns dos aspectos genéticos de importância econômica que poderão ser identificados e analisados num dos mais modernos laboratórios de genética molecular que foi inaugurado ontem na sede da Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora (MG).
Além do laboratório, a empresa está lançando a Rede Nacional ''Genoma Bovino'' que pretende somar esforços e informações de todas as instituições que desenvolvem pesquisas genéticas. ''O trabalho com genoma bovino no Brasil está na vanguarda deste tipo de tecnologia em termos mundiais, equiparando-se ao que está sendo desenvolvido hoje nos Estados Unidos'', comenta o pesquisador da área de genética molecular da Embrapa Gado de Leite, Marco Antonio Machado.
Modernização
Para a instalação do laboratório foram adquiridos equipamentos de última geração que vão auxiliar na formação de um banco de DNA de todos os animais envolvidos nos diversos programas de pesquisa da Empresa.
O objetivo, a médio prazo, é definir quais os genes que são responsáveis por estes e outros aspectos de interesse econômico. A partir daí, pode-se criar mecanismos para selecionar, por meio dos marcadores genéticos, animais de alta produtividade e grande resistência a doenças.
O laboratório é capaz de definir o genótipo dos animais utilizando marcadores moleculares, processo que possibilita identificar nos bovinos características de resistência a parasitas que infestam o gado e provocam doenças, reduzindo a produtividade.''Nosso foco será o combate das principais doenças que atacam o rebanho leiteiro, mas os resultados também poderão ser aplicados na pecuária de corte'', comenta Marco Antonio Machado.
Rede Nacional
A criação da Rede Nacional Genoma Bovino, coordenada pela Embrapa Gado de Leite, irá unir outras unidades da Embrapa que trabalham com pesquisas genéticas, além de universidades e instituições de pesquisa nacionais e estrangeiras. O laboratório já está funcionando em caráter experimental há seis meses, e o trabalho vai envolver 25 pesquisadores de várias instituições, sendo 9 da Embrapa gado de Leite. Estudantes de pós-graduação e de iniciação científicas também farão para da equipe.
Para o pesquisador Mário Luiz Martinez, da Embrapa Gado de Leite, a Rede visa somar esforços na busca de soluções para os desafios da bovinocultura brasileira, utilizando as ferramentas da área genômica.''Além disto, atuando de forma coordenada, as diversas instituições irão evitar o re-trabalho e as pesquisas realizadas em uma instituição serão compartilhadas pela rede'', completa Martinez.
Mais lucro
O Brasil gasta todos os anos cerca de R$ 800 milhões com produtos químicos para combater os parasitas que atacam o gado. Além disto, a pecuária nacional deixa de produzir 26 milhões de arrobas de carne e quatro bilhões de litros de leite por ano devido a infestações provocadas por endo e ectoparasitos. Isto representa um prejuízo da ordem de R$ 2,6 bilhões para o País, informa a área de divulgação da Embrapa.
As pesquisas em biogenética molecular pretendem mudar este quadro, trabalhando para aumentar a eficiência do processo de seleção, por meio de marcadores genéticos. Martinez informa que a complexidade do genoma e a quantidade de animais que precisam ser analisados tornam o trabalho extremamente difícil. ''Daí a necessidade de unir as instituições de pesquisa em uma grande Rede''.
O rebanho comercial brasileiro de bovinos é um dos maiores do mundo. Das 160 milhões de cabeças, 130 milhões são exploradas na atividade de corte e as demais na pecuária leiteira. O Brasil está se tornando um grande exportador de carne e tem condições de começar a vender leite para o mercado externo. A pesquisa genômica é uma importante ferramenta para alavancar, ainda mais, a pecuária brasileira que já representa 46% do PIB agropecuário nacional.


