Estudo segue duas linhas: na seleção das rainhas mais produtivas em colônias de abelhas africanizadas para a produção de mel, e na presença de uma proteína específica para a geleia real
Estudo segue duas linhas: na seleção das rainhas mais produtivas em colônias de abelhas africanizadas para a produção de mel, e na presença de uma proteína específica para a geleia real | Foto: Heitor Marcon/UEM-ASC


Se a produção de mel cresceu 5% no último levantamento do IBGE, quando o assunto é geleia real o cenário é bem mais complexo. Os desafios de manejo, elevada tecnologia para produzir o produto, associado à forte concorrência chinesa - que detém 90% do mercado - são fatores que influenciam diretamente e que fazem o produtor brasileiro pensar duas vezes antes de encarar esse produto.

Para tentar mudar um pouco este cenário, o coordenador do laboratório de Apicultura e Meliponicultura da UEM, Vagner Arnaut de Toledo, trabalha de duas formas. A primeira delas na seleção das rainhas mais produtivas em colônias de abelhas africanizadas (Apis mellifera) encontradas na natureza, nas regiões de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraná. Foram avaliadas sete gerações de abelhas rainhas e as mais pesadas baseadas no seu valor genético maior, apresentaram melhores rendimentos na produção de mel.

Na segunda etapa, com foco na geleia real, verificou-se a relação entre a presença da proteína MRJP3 nas abelhas mais produtivas, o que acaba refletindo na produção da geleia. Quando a proteína se expressa, a produção é maior. "(Além da importância desse trabalho com genética), a produção da geleia real exige uma mão de obra diária do apicultor no manejo das colônias. É preciso trabalhar com as larvas, fazer o isolamento das caixas, trocando os favos de cria para uma outra área, por isso é preciso morar na propriedade para cuidar da produção. É um trabalho que exige dedicação."

Além da mão de obra, que a China tem de sobra, o pesquisador cita a importância de se investir em equipamentos de primeira, além das boas práticas apícolas somados à capacitação. "Hoje temos investido mais na troca de rainhas e na linhagem das filhas, netas e bisnetas (das mais produtivas). Queremos expandir também nossa pesquisa na produção (de outras abelhas da colônias), como os zangões." (V.L.)

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