Pesquisa consegue evitar endogamia na colméia
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná deu um avanço na área de apicultura. Uma pesquisa recém-concluída aponta soluções para evitar a endogamia (cruzamento entre parentes) na colméia, o que estava se tornando corriqueiro na espécie mandaçaia. Essa espécie está em extinção porque não encontra mais os espaços adequados para montar os ninhos. Assim as abelhas rainhas cruzam com os zangões da mesma colméia, prejudicando as próximas gerações.
O presidente da Associação Paranaense de Apicultores (APA), Sebastião Ramos Gonzaga, acaba de finalizar a pesquisa que consumiu oito anos. Ele realizou o trabalho sozinho, sem apoio de nenhuma entidade ou governo. ''Estou fazendo a troca de discos de cria via sedex'', relata. ''Daí introduzo a abelha da mesma espécie, mas que tem material genético diferente, no disco que veio de outro local'', continua. O disco é comercializado por R$ 20,00, fora as despesas com o envio do material.
Durante a pesquisa, Gonzaga determinou as condições necessárias para a troca de discos de cria. Eles só podem ser transportados quando estão brancos, o que mostra que as larvas já consumiram todo a geléia real contida no alvéolo. Isso ocorre pouco antes da fase imago, quando é definido se o inseto vai ser uma rainha, uma operária ou um zangão. ''Se mandar em outra fase, o alimento líquido pode virar e afogar a larva e não suportaria o transporte'', explicou.
Segundo Gonzaga, os discos têm uma resistência de até seis dias, a uma temperatura de 25 graus, a 65% de umidade do ar. ''Por isso posso mandar para Recife ou Porto Alegre, porque via sedex chega no máximo em 48 horas'', observou. Ele disse que não há perigo das abelhas-rainhas cruzarem com os zangões que forem enviados em um mesmo disco, porque as rainhas atingem a maturidade sexual em apenas quatro dias, e os machos, em 14 dias. ''Antes mesmo de atingir a maturidade, a abelha envia o feromônio, atraindo o macho de outra colméia'', disse.
A abelha mandaçaia tem capacidade de produzir dois litros de mel por ano, uma média considerada boa. Gonzaga disse que o resultado da pesquisa não dá ganhos de produtividade, mas ajuda a manter a espécie viva. ''O objetivo principal do estudo é a preservação. Mesmo que todos os locais de nidificação (de ninhos) sejam devastados, a abelha vai sobreviver na capoeira'', afirmou. Para ele, a mandaçaia tem muitas vantagens sobre outras espécies de abelhas.
''Ela é muito dócil para se trabalhar e se adapta muito bem às divisões de colméias'', relatou. A mandaçaia não possui ferrão. Segundo estimativa da APA, há cerca de 30 mil produtores desse inseto no Brasil e aproximadamente 4,5 mil no Paraná.


