Pesquisa confirma eficiência da arnica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Agência Brasil 
Há muito tempo que chá ou infusão da arnica brasileira (Lychnophora ericoides) são utilizados pelas pessoas para amenizar coceira, picada de mosquito, cortes, dores e inflamações. E funciona. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto decidiram saber por quê - e conseguiram.
Estudando a planta eles encontraram três substâncias - dois antiinflamatórios e um analgésico - com atividade farmacológica comprovada em animais de laboratório ou in vitro, diretamente em proteínas. Descobriram também o que cada parte da planta detem: raiz e folhas, mais intensamente, produzem substâncias antiinflamatórias, enquanto os analgésicos estão apenas na raiz. O caule, pelo que se viu, não produz substâncias de interesse farmacológico.
A equipe de Norberto Peporine Lopes, que coordena esse trabalho, não quer apenas isolar os princípios ativos de novos medicamentos. O objetivo é mais amplo: encontrar as melhores condições para o cultivo da planta e a produção de fitoterápicos com qualidade e custos baixos, com a menor quantidade possível de constituintes que possam ter efeitos colaterais. É um percurso que inclui uma revisão nas indicações de uso da arnica, que deve ser apenas tópico (externo). ''Não recomendamos a ingestão em hipótese alguma'', alerta Lopes. ''Algumas substâncias podem ser tóxicas para o fígado''. Segundo ele, ninguém sabe ao certo quais são e o que podem fazer as substâncias dos preparados comerciais feitos com a arnica e vendidos como panacéias contra picadas de mosquito, batidas ou luxações.


