Uma visão racional e responsável sobre a agricultura é o que motiva o fitopatologista Yeshwant Mehta a permanecer como colaborador convidado do Iapar, após a aposentadoria. Nascido em Gwalior, cidade próxima a Nova Delhi, na Índia, concluiu o doutorado no próprio país e pós-doutorado na Holanda. Veio para o Brasil em 1972, como consultor por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dois anos depois, recebeu convites do Iapar e Embrapa, recém-criados, e acabou optando pelo primeiro.
''O nosso propósito é buscar tecnologias para que a produção seja menos poluente, menos onerosa e ecoamigável'', afirma Mehta. Segundo ele, pelo menos nos últimos 15 anos este tem sido o foco da pesquisa no Iapar, que desenvolve trabalhos na área de biotecnologia e agricultura orgânica.
Mehta diz que não teve dificuldades de adaptação quando chegou ao Brasil na década de 1970. Havia algumas similaridades entre os dois países, situados na área tropical, e a dedicação à agricultura. ''Porém, a Índia tinha mais tradição por ser um país milenar. Havia diferença também com relação ao tamanho de propriedades: lá a maioria tem até um hectare'', compara. Além disso, com um território duas vezes e meia menor, a Índia possuía cerca de um bilhão de habitantes.
A barreira do idioma também foi superada com relativa facilidade. ''Não sabia falar uma palavra em português. Levei cerca de um ano para aprender com ajuda dos colegas'', afirma. Mehta deixou a Índia casado com dois filhos e teve um terceiro filho no Brasil. Atualmente, um deles é médico, uma trabalha na área de informática e outra é pesquisadora em biotecnologia. A esposa Shobhana é biológa e se dedica a ensinar inglês. Além de colaborador do Iapar, Mehta é diretor técnico da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro). (R.C.)

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