Pesquisa busca novas variedades de tangerinas
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
Com o objetivo de ampliar o mercado interno de tangerinas, o Centro de Citricultura Sílvio Moreira, localizado em Cordeirópolis (interior de SP), está conduzindo uma pesquisa sobre novas variedades. A idéia é oferecer frutas em períodos distintos da safra de poncã, que é a espécie mais consumida no Brasil. A ampliação do tempo de colheita garantiria mais renda ao produtor, que teria oportunidade de vender seus produtos em outras épocas do ano.
De acordo com a pesquisadora Rose Mary Pio, vinculada à instituição, a pesquisa contempla 42 espécies oriundas de diversos lugares do mundo. Algumas plantas estão em teste há aproximadamente oito anos e em breve estarão disponíveis para os produtores, na forma de mudas.
No Paraná, apenas as espécies que apresentam alto grau de resistência contra o cancro cítrico podem ser cultivadas. O teste deve ser feito pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que é o orgão oficialmente responsável por realizar esse tipo de trabalho.
Poncãs Rose informou que o Centro conduz três linhas de pesquisa. A primeira delas diz respeito a quatro variedades de poncãs fora de época, cuja produção se concentra em período anterior ou posterior aos meses de maio e junho.
Entre essas espécies, a satsuma (precoce) e a loose jacket (tardia) já foram testadas pelo Iapar e apresentam resistência ao cancro cítrico. Por isso, podem ser plantadas no Paraná, afirmou o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), que recentemente visitou a estação experimental do Centro de Citricultura.
Resta saber se essas variedades se comportarão da mesma forma em nosso Estado. Para confirmar a possibilidade de ampliação do período de colheita, será necessário realizar uma pesquisa com esse objetivo, acrescentou.
Segundo Rose, as opções precoces testadas em São Paulo oferecem possibilidade de colheita no início de março e as tardias, no final de agosto.Estamos fazendo um zoneamento no Estado para indicar as variedades mais adequadas às diferentes condições climáticas, explicou.
Ela acrescentou que as espécies precoces são boas para as regiões mais quentes e as tardias, para os locais mais frios, como é o caso das áreas serranas. No total, o Centro de Citricultura possui 12 experimentos em todo o Estado, mas ainda não há material para plantio comercial.
Frutas Diferentes A outra linha de pesquisa é sobre tangerinas híbridas diferenciadas, com casca mais fina, sabor diferente e características mais delicadas. Rose informou que 80% das tangerinas produzidas em São Paulo são das espécies poncã ou murcote, enquanto a mixirica e a tangerina cravo perfazem os 20% restantes . É uma diversidade muito pequena, nossa intenção é disponibilizar outras alternativas para os produtores. Na Espanha, que é o maior exportador do mundo, a lista de opções é muito maior, disse.
Ela ressaltou que a disponibilidade de espécies diferentes depende de testes sobre o comportamento da fruta no Brasil e análises sobre a reação dos consumidores aos produtos. Não podemos indicar alternativas que não sejam bem aceitas pelo mercado, analisou.
Segundo a pesquisadora, as espécies de tangerina em teste são interessantes para o Paraná, pois possuem alto grau de tolerância ao cancro cítrico. Ela acredita que as regiões mais frias, principalmente serranas, favoreceriam a produção de algumas variedades que apresentaram bom desempenho nessas condições climáticas. Apesar dessa previsão, ela reafirmou que o cultivo só será permitido após autorização oficial do Iapar.
Sem semente A mais recente pesquisa desenvolvida pela instituição de Cordeirópolis engloba as tangerinas sem sementes, bastante apreciadas pelo mercado externo. Como exemplo dessa alternativa, ela citou as clementinas. Existem também alguns híbridos, que precisam ser estudados no Brasil, pois só conhecemos seu comportamento na Espanha e no Uruguai, revelou.
A produção desse tipo de tangerina exige alguns cuidados diferenciados por parte dos produtores. Ela explicou que é necessário fazer um planejamento do que vai ser cultivado na propriedade, para evitar o risco de polinização por outras espécies, o que aumentaria o risco de produzir frutas com semente.
Aproximadamente 15 variedades de tangerina, entre as 42 pesquisadas, serão mostradas pela primeira vez aos produtores em um dia de campo que o Centro promove em Capão Bonito (interior de SP) no próximo dia 21 de junho. O evento começa as 9 horas e inclui palestras sobre as novas espécies, orientações sobre como produzir e comercializar tangerinas e degustação das frutas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 542-1310, com Jairo Lopes.


