Apesar de ter potencial para produção de óleo superior à soja, o pinhão manso ainda é uma cultura não domesticada. O que se tinha, até então, era um plantio esparso, sem interesse comercial. De acordo com o pesquisador da Embrapa, Bruno Laviola, em 2006 foi criado um programa de pesquisa sobre a cultura, o BR Jathropha, que foi itensificado em 2008. O programa reúne 23 instituições de pesquisa e mais de 80 pesquisadores, que desenvolvem atualmente em 130 pesquisas. ''Ainda são necessários três ou cinco anos para se concluir um ciclo da pesquisa'', explica.
Mesmo com os estudos ainda em fase inicial, Laviola revela que o pinhão manso tem apresentado resultados promissores para que, posteriormente, alguns acessos (plantas colhidas na natureza com características diferenciadas) sejam incluídas em programas de melhoramento, com o objetivo de buscar mais produtividade e resistência ou menor toxicidade.
A evidência do pinhão manso dentro da estrutura de biocombustíveis se iniciou no Brasil com o advento do Programa Nacional de Produção de Biodiesel, entre 2004 e 2005, quando houve uma alavancagem de interesse nesse segmento. Segundo Richard Fontana, diretor de tecnologia da AustenBio, empresa de tecnologia industrial, a soja que conhecemos hoje, para a qual se demandou 50 anos de pesquisa, produz aproximadamente 500 kg de óleo por hectare. Enquanto a produção de óleo do pinhão manso, hoje, chega a 1.500 kg por hectare ao ano.
Fontana aponta como outro diferencial entre as culturas o fato do pinhão manso ser direcionado exclusivamente para a questão dos biocombustíveis e não conflitar com os interesses da cadeia alimentícia. ''A torta do pinhão manso, após passar por processo de desintoxicação, pode ser direcionada ao setor de ração animal, mas o processo é caro e o potencial da cultura está focado na produção de óleo'', argumenta. Sem passar por desintoxicação, a torta volta ao campo como fertilizante e sua toxicidade ainda pode auxiliar no combate ao nematóide.
O mercado dos biocombustíveis está voltado para o transporte de cargas e pessoas por via terrestre e para o transporte por avião. Em ambos os casos, é exigida uma especificação para que o produto possa substituir o combustível derivado do petróleo. ''Cada óleo vegetal possui uma característica específica e o óleo de pinhão manso se direciona mais para atender aos interesses do bioquerosene, usado para substituir o querosene de aviação'', explica.(M.F.)

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