Pesquisa busca adaptação ao mercado
Variedades de soja que alcançam boa produtividade, precocidade, são resistentes às doenças e que podem ter características especiais para alimentação humana; cultivares de trigo com boa sanidade, com características específicas de qualidade industrial e adaptadas às diferentes regiões são alguns dos resultados do trabalho de pesquisadores da Embrapa e Iapar, com o reforço da Fundação Meridional. Nos 10 anos de parceria, foram desenvolvidas 30 cultivares de soja, 20 convencionais e 10 transgênicas, além de 17 cultivares de trigo.
Entre as variedades de soja, um dos destaques é a BRS 232, que tem excelente potencial produtivo e apresenta bom rendimento em regiões acima dos 600 metros. A semeadura pode ser feita a partir de 20 de outubro e durante o mês de novembro. É resistente ao cancro da haste, à mancha olho de rã, à podridão parda da haste, ao mosaico comum da soja e ao vírus da necrose da haste, e moderadamente resistente ao nematoide de galha. Atualmente, é a cultivar convencional mais plantada na região de atuação da Fundação Meridional.
Na última safra os produtores tiveram como nova opção de cultivo outras duas cultivares convencionais, desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a Meridional. A BRS 283 e a BRS 284 têm como vantagens o crescimento indeterminado, a precocidade, ampla adaptação e o alto potencial produtivo. A possibilidade da semeadura antecipada, no início de outubro, abre caminho para o milho safrinha. Segundo os pesquisadores, as cultivares são recomendadas para todas as regiões do Paraná, São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul.
Os avanços obtidos nos laboratórios e campos da Embrapa levam a instituição a responder hoje por 45% do mercado de produção de sementes de trigo no Brasil. Além do aumento de produtividade, a pesquisa busca imprimir nas cultivares características que interessam ao mercado e ao consumidor.
Exemplos disso são as variedades BRS Pardela e BRS Tangará, com as quais se obtém farinha para a fabricação de pães. A BRS Pardela possui elevada força de glúten (capacidade de volume e qualidade industrial) e boa estabilidade de farinha. Também é indicada para massas em geral e como mistura de farinhas com menor força de glúten. A cultivar tem boa resistência ao oídio, à ferrugem da folha, com moderada resistência às brusone e manchas foliares.
A BRS Tangará tem ainda como caracterítiscas resistência à ferrugem da folha e ao oídio. Segundo os pesquisadores, a cultivar apresenta bom rendimento em áreas com temperatura amena, embora tenha ampla adaptação geográfica.
Outra importante contribuição ao sistema produtivo do trigo foi o lançamento da BRS 220, que atualmente é cultivada em 25% da área ocupada pela cultura no Centro-Sul do Brasil.
A parceria com o Iapar possibilitou o desenvolvimento de nove cultivares de trigo. Entre as principais estão a IPR 144, IPR 130 e IPR 136. A IPR 144 tem como características o ótimo desempenho agronômico, elevada produtividade de grãos, qualidade para indústria panificadora, moderada resistência à brusone e adaptação a algumas regiões do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O pesquisador da área de trigo, Manoel Carlos Bassoi, da Embrapa Soja, destaca a participação da Meridional nessas conquistas. A fundação não só tem colocado pessoal de apoio à disposição do programa de melhoramento genético de trigo da Embrapa Soja, como tem conduzido os ensaios de VCU (Valor de Uso e Cultivo) em 15 localidades no País, afirma. Bassoi acrescenta um outro ganho para o setor agrícola. Os parceiros da Meridional representam hoje, aproximadamente, 95% dos produtores de sementes da região de abrangência dos convênios de soja e trigo, completa. (R.C.)





