Peso dos encargos e falta de mão de obra são desafios
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sábado, 05 de outubro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 
Da mesma forma que o trabalho é de excelência de muitos mestres cachaceiros, o setor esbarra em algumas dificuldades que estão ligadas ao poder público. O produtor de cachaça e presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas do Paraná (Sindibebidas-PR), Fulgêncio Torres Viruel, salienta que uma das lutas do setor está no peso da carga tributária.
Ele cita, por exemplo, o ICMS próprio e o substituto, com alíquotas que segundo ele são abusivas. “Mesmo produtores de cachaça que estão enquadrados no Simples precisam pagar a substituição tributária. Substituição tributária é o pior imposto para o produtor e mesmo para o lojista. É preciso fazer o pagamento antecipado por uma venda que ele ainda não fez, recolhe a substituição no ato da venda e só vai receber depois de meses. É tirar dinheiro do caixa para financiar o governo”, reclama.
Torres relata que recentemente o governo do Paraná retirou uma série de produtos da substituição tributária, inclusive o vinho, mas a cachaça permanece com o encargo. “Nós continuamos nessa luta para retirar (o imposto) dos pequenos produtores. Ele não poderia ser aplicado aos artesanais, porque esses estabelecimentos não têm escala para suportar o peso do tributo no fluxo de caixa.”
Outro ponto é a dificuldade de encontrar mão de obra, mesmo para os pequenos alambiques. “Mesmo com boas condições de trabalho, eles não querem trabalhar em serviço de campo. O setor que produz cachaça artesanal precisa de mão de obra na lavoura. Estamos falando de um segmento que gera muitos empregos.”


