Brasília - O forte aumento do peso de hortigranjeiros da inflação nos últimos três anos deixa em evidência a ineficácia do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), criado em 2005 para incentivar principalmente pequenos produtores rurais e a agricultura familiar na cultura de itens básicos como tomate, batata, frutas e hortaliças.
De 2011 para 2013, o peso desses produtos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 0,11 pontos porcentuais para 0,27 pontos. O salto contribuiu para elevar a pressão de alimentos e bebidas sobre índice geral, no qual encerrou 2013 com uma participação total de 2,03 pontos, como mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O último repasse para o Prohort, de R$ 400 mil, ocorreu em 2011, por meio do Plano Plurianual (PPA). Desde então, a falta de recursos para o programa, administrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é mais um fator de estímulo à disparada nos preços dos alimentos, que tem sido causada principalmente pelos efeitos de problemas climáticos.
A título de comparação, o Programa Safra de Agricultura Familiar (Pronaf) destinou R$ 16 bilhões a estes produtores na colheita 2010/11. Para o agronegócio, em 2011/12, o Plano Agrícola e Pecuário contou com R$ 107,21 bilhões, em financiamentos a juros mais baixos.
"Se não houver investimento para o produtor, que não tem recursos próprios para enfrentar as intempéries, não há como se proteger de oscilações de preços", afirma o gerente do Prohort, Newton Araújo Silva Júnior.
Responsável pela execução do Prohort, Silva Júnior afirma que a partir de 2011 o governo reservou recursos para o programa por meio do Ministério da Agricultura. O dinheiro, contudo, não chegou. "Existe rubrica, mas não foi consignado nenhum tostão", diz.
O presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos, conta que técnicos da estatal estiveram no Ministério da Fazenda no último dia 7 para apresentar o programa e tentar convencer a área econômica a destinar recursos para o Prohort no orçamento federal. "Apresentamos ao Ministério da Fazenda o que fazemos e estamos aguardando recursos para fomentar o programa. Eles gostaram muito do que foi apresentado", afirma.
O coordenador do Prohort diz que a falta de aporte de recursos federais dificulta a construção de áreas de exposição e vendas, armazéns, estufas e o mapeamento logístico para dinamizar a distribuição.

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