Perspectivas da Agropecuária
Perspectivas da Agropecuária
Confederação Nacional da Agricultura
Neste ano a agricultura brasileira não poderá cumprir suas metas sócio-econômicas. Especialmente na área social, dificilmente alcançará um novo patamar, porque será a atividade que mais desempregará em 98. Apesar de haver diferenças nitidamente regionais e por produto, a maioria dos economistas reconhece que três hectares desativados equivalem a um desempregado no campo.
Do Plano Real até agora já foram desativados 2,4 milhões de hectares, o que leva ao número de 800 mil empregos perdidos na atividade rural. Quanto às metas econômicas, haverá dificuldades geradas pela significativa perda de renda do setor, que já exauriu a maior parte dos diversos segmentos da produção primária, com exceção absoluta para os casos do café e soja.
Como geralmente os produtores rurais tomam decisões sobre o plantio com base nos resultados da última safra, a tendência é que haja um aumento expressivo da produção de soja em 1998. Os preços do produto no mercado internacional estiverma, na média, 10% mais elevados.
A renda bruta do complexo soja (grão, óleo e farelo) subiu 16,6% em comparação a 1996, representando um ganho de R$ 1 bilhão. Para o milho, cujas cotações estiveram abaixo do preço mínimo de R$ 6,70 a saca de 60 quilos, a previsão é de queda na colheita. A renda bruta dos produtores de milho caiu 10,6% em relação ao ano de 1996, com perda de R$ 54 milhões.
Neste ano o setor agropecuário continuará gerando superávit comercial. Em 1997 a área agrícola foi responsável por um saldo de US$ 7,8 bilhões, contribuindo para minimizar o déficit da balança comercial brasileira. As exportações agrícolas aumentaram 18,6% em relação ao ano passado, representando quase o dobro das exportações totais do País, que cresceram 11%. Esse desempenho deverá se manter em 1998.
As expectativas são de que as negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) resultem numamaior liberação do mercado internacional, com reduções significativas de subsídios ao setor agrícola, da forma como são praticados, hoje, pelos países desenvolvidos.
A Confederação Nacional da Agricultura vem defendendo junto ao Governo que, nos acordos internacionais a serem firmados pelo Brasil, a agropecuária não seja tratada em separado. A CNA entende que as regras comerciais estabelecidas devem valer, também, para o setor primário.
Outra expectativa do setor para 1998 é que a tributação incidente sobre a cesta básica e insumos agrícola seja eliminada, ou pelo menos reduzida significativamente. A carga tributária sobre os alimentos é de 34%, sendo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) o tributo de maior peso.
Texto elaborado pela Assessoria de Imprensa da CNA.





