Perspectiva de exportar mais eleva preços de animais
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A venda de Nisha, por R$ 490 mil, foi considerado um recorde brasileiro e coloca em destaque o investimento em genética para aumento da produção de carne, visando não só abastecer o mercado interno, mas também a exportação. O mercado externo torna-se cada vez mais promissor para o Brasil, a cada notícia sobre casos de aftosa no restante do mundo. O rebanho brasileiro está valorizado e pode atender o mercado mundial. O País tem hoje cerca de 160 milhões de cabeças o que representa o maior rebanho comercial do mundo.
Segundo Gustavo Garcia Cid, um dos responsáveis pelo criatório da Fazenda Cachoeira, de onde saiu Nisha, este é um momento em que os pecuaristas brasileiros deverão investir mais na compra de reprodutores e matrizes para melhorar a genética de seus rebanhos e, consequentemente, aumentar a produção comercial dos animais destinados para abate.
Alta linhagem Além de ser uma campeã em pistas de julgamentos da raça nelore em feiras agropecuárias a fêmea Nisha, vendida no leilão da Fazenda Cachoeira, realizado no último sábado, dia 7, em Sertanópolis, a 60 quilômetros de Londrina (PR), traz nas veias o sangue da linhagem Shakuni, uma fêmea importada por um dos pioneiros da raça nelore no Brasil, Celso Garcia Cid.
Nisha é a oitava geração de Shakuni, uma fêmea que tem transmitido aos seus filhos, machos ou fêmeas, precocidade sexual, habilidade materna para as filhas e precocidade sexual e de ganho de peso para os filhos.
Herança genética As fêmeas que carregam o sangue de Shakuni, segundo Gustavo Garcia Cid, neto do pioneiro Celso Garcia Cid e um dos responsáveis pelo criatório da Cachoeira, geralmente têm uma precocidade sexual acima da média, com a primeira cria por volta dos 25 meses.
Nisha é mais que um exemplo. Prenha do touro Lagan, outro campeão de pistas, vai parir em maio. Ela fará dois anos no próximo dia 21 e iniciou a vida reprodutiva aos 15 meses. De acordo com Gustavo Garcia Cid, só isso já explicaria o alto valor pago pela fêmea no leilão.
A mãe de Nisha, também filha de Shakuni, foi duas vezes campeã nacional da raça nelore. A fazenda Cachoeira tem utilizado a linhagem de Shakuni na produção de matrizes e reprodutores. Um irmão de Nisha, por exemplo, é hoje considerado o melhor reprodutor que a fazenda tem. Aos 23 meses ele já está com 880 quilos..
A linhagem da Shakuni, segundo Gustavo, conseguiu ao longo dos anos transmitir ao rebanho, de maneira equilibrada e constante, suas características mais importantes. Saíram da fêmea, filhos e filhas de ótimas características e premiados, portanto, espera-se que Nisha possa também transmitir isso a seus filhos.
Produtora de embriões Nisha, depois de parir, segundo Gustavo, deverá entrar em coleta de embriões. Na fazenda, segundo ele, o manejo tem sido de fazer a coleta para transferência de embriões sempre após a primeira cria da fêmea, com um intervalo de 30 dias. A fertilização in vitro (FIV), por exemplo, já é adotada a partir dos oito meses de idade das fêmeas, ou depois da primeira cria com intervalo de 60 dias.
Nas transferências de embriões realizadas na Cachoeira os resultados são de um índice médio de 60% de prenhezes, em duas ou três coletas, com cinco prenhezes por coleta e 15 prenhezes/vaca/ano. Já na FIV o índice médio é de 40%, com duas prenhezes por coleta e oito prenhezes por mês. No caso da FIV há a vantagem de coletar embriões semanalmente daí o maior índice de prenhezes.
Retorno rápido Segundo Gustavo o investimento feito na compra de Nisha deverá se pagar tranquilamente em dois anos se ela for para a coleta e transferência de embriões. Se usar a FIV este retorno poderá vir antes, já que a tecnologia pode possibilitar de 40 a 50 prenhezes num ano. Hoje o preço médio de um embrião top da raça nelore pode chegar a R$ 30 mil e com 16 a 17 prenhezes de uma vaca como a Nisha já é possível pagar o investimento. Durante a exposição de Londrina, por exemplo, um embrião vendido nos leilões da feira, do criatório da Cachoeira, foi adquirido por R$ 21 mil, avalia Gustavo.
Valorização da raça Gustavo Garcia Cid acredita que o preço de venda da fêmea puxou para cima as médias dos leilões de nelore realizados não só na exposição de Londrina mas também nos remates da raça que virão pela frente. O leilão da Associação dos Neloristas do Paraná (Anel), por exemplo, que foi realizado na exposição de Londrina, todo ano tem uma média entre R$ 1.700 a R$ 1.800. Este ano obteve média acima de R$ 5 mil. Gustavo considera que a venda valorizou não só o rebanho da Cachoeira, mas a raça nelore como um todo.
Até então o termômetro de preços para animais de elite da raça nelore, de acordo com Gustavo Garcia, era a feira de Uberaba (MG), a Expozebu, da qual a família Garcia Cid participa todo ano. Desta vez Londrina saiu na frente, comemora. Espero que em Uberaba os resultados sejam melhores ainda, isso só valoriza a raça e o pecuarista brasileiro.
O criatório da Cachoeira este ano estará vendendo animais em dois dos leilões programados na feira. A mostra será realizada de 1º a 13 de maio e já corre a conversa que os pecuaristas que participarão do evento estarão se agilizando para bater o recorde de Londrina, o que não será fácil. Até então o recorde de preço pago por um animal da raça nelore no País era de Uberaba. No ano passado uma fêmea nelore foi vendida na Expozebu por R$ 312 mil. O proprietário dessa fêmea já vendeu três embriões por uma média de R$ 70 mil, o que lhe garante a recuperação do investimento feito na compra do animal.
No caso de Nisha se for vendida uma prenhez por 70 mil o retorno do investimento será pago em pouco mais de um ano. O que ela produzir dali para frente será o lucro do comprador. Normalmente a vida reprodutiva de uma vaca pode passar dos 10 anos com picos no caso da coleta de embriões por volta do quinto ou sexto ano.
O comprador de Nisha foi Márcio Mesquita Serpa, empresário e pecuarista, dono da Universidade de Marília (Unimar), (SP). O 1º Leilão Cachoeira Fest vendeu um total de 28 fêmeas nelore, do criatório da fazenda e de outros pecuaristas convidados, com idade entre 10 meses e dois anos. O faturamento total do leilão chegou a R$ 1 milhão 390 mil e 200 com uma média de R$ 49.600 por animal.


