Persistência e diversificação são palavras-chave

O produtor Jorge Luiz de Godoy, de 24 anos, é a nova cara do produtor rural brasileiro. Mora na cidade, mas acredita que a área de dois alqueires que possui junto com a mãe tem ótimo potencial de faturamento e pode ser interessante para o futuro. Em um alqueire, o foco é a avicultura, no outro, o jovem resolveu devido à influência de alguns amigos apostar no Programa Terra Forte.
Há dois anos ele captou junto à prefeitura 500 mudas de goiaba, 500 de cítricas, e mais 250 mudas diversas de abacate, atemoia, maracujá e figo. "Eu e alguns amigos nos interessamos e resolvemos apostar no projeto. É uma estratégia bacana de diversificação. Ainda não colhi nada com muito volume, apenas um pouco de goiaba e mexerica, mas vale muito à pena porque vamos pagar tudo (para prefeitura) com frutas", analisa o rapaz.
Godoy já projeta o futuro. Sabe que a fruticultura exige paciência e persistência e que o resultado bacana vem com mais alguns anos. "É um caminho legal, de um bom retorno. Aqui neste espaço não tenho mais área para expandir, mas pretendo procurar por outros locais para plantar mais. Estou bem contente."
O técnico agrícola do município que atua no Programa, Luís de Faveri, explica que é necessário implementar algumas técnicas de manejo, como por exemplo a cama verde com a braquiária, assim o solo fica coberto com a massa e se mantém a umidade da terra. Outro ponto é a diversificação com diferentes culturas no entremeio das frutas e, assim, gerar renda na área enquanto os pomares se desenvolvem. "Pode ser com feijão, milho, mandioca...tudo de uma forma que não prejudique a produção de frutas."
Outro ponto desafiador é que com o tempo os fruticultores vão precisar de uma assistência técnica direcionada, já que os dois técnicos do município participam mais do início do trabalho. "Com o tempo é preciso buscar como se faz o manejo, a poda, cuidado com os frutos. Fazemos uma orientação na época da distribuição das mudas, plantio e acompanhamento até a produção. Depois é preciso buscar a Emater ou engenheiros particulares."
O outro técnico do município, Marco Aurélio Bertasso, explica que muitos produtores estão passando por uma mudança de cultura, principalmente quem atuava no Café. "O projeto está bem implantado, muitos já estão estabilizados e conseguiram pagar as mudas e o calcário que captaram. A maior dificuldade é acreditar que tudo isso pode dar certo."
Devido às condições geoclimáticas da região, Bertasso complementa dizendo que, de forma geral, as frutas foram muito bem neste primeiro momento. "Algumas frutas vêm mais rápidas, mas a maioria no mínimo em três anos. O pessoal está feliz, alguns já estão vendendo nos supermercados e poucos desistiram do trabalho." (V.L.)





