Pernil especial agrega até 150%
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sábado, 30 de novembro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Ignorando a crise que ainda ronda a suinocultura, as grandes indústrias apostam nas vendas de cortes especiais de suínos in natura nas festas de final de ano para recuperar margens perdidas ao longo do ano. Empresas como Sadia, Perdigão, Seara e Batavo oferecem cortes nobres de carne suína como lombos, pernil ou tender (presunto), com valor agregado, como embalagem na indústria e com temperos variados.
Essas peças de carne, geralmente vão ao varejo com uma margem elevada que pode chegar até 150% sobre o valor da carne in natura paga ao suinocultor. No varejo os cortes especiais variam até 100% em relação aos cortes vendidos em açougues. Para se ter uma idéia, esta semana, um corte de pernil sem osso embalado da Perdigão estava sendo vendido a R$ 9,49 o quilo no supermercado Pão de Açúcar, em Curitiba, e o corte de pernil sem osso no açougue estava sendo oferecido por R$ 4,99 o quilo.
O preço da carne in natura que vai vigorar ao consumidor, entretanto, depende dos estoques dessas peças disponíveis no mercado. Para o analista econômico do Sindicato da Indústria da Carne, Gustavo Fanaya, muitas vezes quando os estoques encalham o consumidor paga esse tipo de carne, já embalado e temperado, vendido pelas grandes indústrias a preços inferiores aos cortes semelhantes vendidos no açougue da esquina.
Normalmente as carnes pré-embaladas, mesmo in natura, são mais caras que suas semelhantes vendidas no açougue. Nesse caso o consumidor está pagando pela qualidade do produto. Uma carne pré-embalada de indústria conhecida no mercado pressupõe uma garantia de procedência e manuseio sem riscos de contaminações. ''São fatores como estes que agregam valor ao produto e o consumidor identifica essa diferença'', disse Fanaya.
''Claro que aliado a esse procedimento, as indústrias recorrem ao marketing para alavancar as vendas'', acrescentou. Mas todas essas fases da venda de carne in natura por parte das grandes indústrias incorporam custos que são acrescidos ao preço final do produto. Toda a qualidade e garantia de procedência da marca são incorpordas a esse preço final, explica Fanaya. Mas a sustentação do preço no mercado vai se dar em função dos estoques existentes e da demanda que houver pelo produto, lembra.
Já os produtos embutidos, derivados da carne suína, vendidos o ano inteiro, também não são baratos para o consumidor. No preço final de produtos como salames e presuntos finos, são computados componentes como perdas, embalagens especiais, cortes e tratamento a frio, ou seja uma estrutura muito cara que a indústria repassa ao preço do produto, disse Fanaya. Outro componente de custo está no varejo. Geralmente os supermercados acondicionam esses produtos em balcões frigoríficos cuja manutenção é bem mais cara, comparada a um produto que fica numa gôndola normal. ''A tudo isso é somado um custo sobre o preço do animal vivo'', explicou.
Fanaya atribui ao varejo o fato dos cortes de carne in natura e mesmo os embutidos serem mais caros ao consumidor. O Sindicarnes calcula que as redes de supermercados trabalham com uma margem bruta que varia de 40% a 80%. A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) também argumenta que tem uma estrutura de custos a deduzir dessa margem, que reduz a margem líquida que varia até 3%.


