Mercados globalizados, competição, problemas climáticos, pragas e doenças, variação cambial interferindo no preço dos insumos. Para os técnicos do departamento de sócio-economia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) a capacitação do agricultor vai além da adoção de tecnologias nas atividades produtivas estendendo-se para a transformação dos produtos e organização dos agricultores.
Esse processo de busca por capacitação foi intensificado nos anos 90, com a ampliação dos dias de campo voltados para a transferência de tecnologias, esclarece o economista do Iapar, Moacyr Doretto. Com o passar do tempo as ações voltaram-se para o incentivo e a organização dos produtores em empreendimentos rurais como fábricas de bolachas e doces com o objetivo de encontrar alternativas de renda para manutenção da propriedade rural.
Outra alternativa de complementação de renda adotada por agricultores com áreas próximas à zona urbana, segundo o agrônomo Dimas Soares Júnior, também do Iapar, é a busca de emprego na cidade. ''Os salários conseguidos na cidade complementam a renda, facilitando a permanência da família na atividade agrícola'', justifica.
Doretto ressalta que com a diminuição do tamanho das áreas e a consequente dificuldade para divisão das propriedades, por ocasião das sucessões, há uma redistribuição das tarefas dentro da propriedade rural. ''A diversificação de culturas na propriedade promoveu também uma divisão de tarefas entre os membros da família. Uma pessoa se responsabiliza pela venda dos produtos, outro pela compra dos insumos, outro complementa a renda com um trabalho na zona urbana'', exemplifica.
A organização de trabalhadores em associações também é uma necessidade. Dessa forma, o produtor consegue adquirir insumos a custos menores e produzir em escala para manter-se nos mercados, avalia Doretto.
Os dois pesquisadores, porém, são enfáticos ao mencionarem a necessidade de qualidade no gerenciamento das propriedades. Soares Júnior reforça que os produtores rurais têm noção de que é necessário realizar controle de custos, entretanto, por motivos culturais, nem todos têm esse cuidado. Ele acrescenta ainda que só com o controle dos gastos de cada etapa da produção o agricultor saberá quais são os pontos de estrangulamento da atividade.
Doretto analisa que com o incremento das tecnologias utilizadas no campo e a liberação das atividades de produção, o agricultor conseguiu mais tempo para se dedicar ao gerenciamento da propriedade, observar e buscar mercados, além de processar os produtos agregando renda a atividade rural. De acordo com os pesquisadores, a gestão da propriedade rural com qualidade assegura maior rentalibidade no campo.
Para auxiliar na administração das propriedades rurais os pesquisadores do Iapar estão desenvolvendo um software. Soares Júnior esclarece que o programa está sendo testado em 200 propriedades rurais da região e deverá estar pronto até o final do ano, quando será disponibilizado aos interessados.

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