Perigo para a bananicultura do PR
Cristina Côrtes
O Conselho de Sanidade Agropecuária de Londrina, formado por representantes de instituições públicas e empresas privadas, reuniu-se na semana passada, para discutir o que fazer diante da ameaça da sigatoka negra (Mycosphaerella fijiensis var. difformis) chegar aos pomares de banana do Paraná. Esta é a mais grave e temida doença da bananeira no mundo, e já atinge plantios no Amazonas e no Mato Grosso.
Segundo o agrônomo Paulo Félix, do Núcleo da Secretaria da Agricultura em Londrina e secretario executivo do Conselho de Sanidade, as decisões tomadas na reunião foram: encaminhar sugestões às autoridades sanitárias do Governo, para que sejam elaboradas normas para regularizar a entrada de bananas produzidas na regiões que já estão com o problema, e orientar os grandes compradores e atacadistas da Ceasa para estarem atentos e comprar somente as frutas com certificado de origem. Esperamos que com estas duas medidas possamos, pelo menos, retardar o aparecimento da doença em nosso Estado, diz Paulo Félix.
AgressivaA sigatoka negra é uma doença bastante agressiva que se multiplica rapidamente; de difícil controle e exige um aumento de quatro a cinco vezes no número de aplicações. Segundo a professora do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carmen Sílvia Vieira Neves, o mais grave ainda é que quase todas as variedades comerciais são suscetíveis à sigatoka negra, mesmo aquelas que são mais resistentes à sigatoka amarela. A Embrapa desenvolveu duas variedades resistentes à sigatoka negra, mas as características do fruto não foram aprovadas, informou Carmen.
A disseminação da doença ocorre pelo vento, e sob condições favoráveis, especialmente de umidade, o fungo se alastra facilmente. Os sintomas da sigatoka negra são bastante parecidos com os da sigatoka amarela, doença que já está presente nos pomares do Estado. A semelhança dos sintomas torna a distinção entre elas tarefa bastante díficil no campo, explica Carmen. Nos dois casos ocorrem manchas no formato de estrias, no sentido das nervuras das folhas. As manchas escuras, no caso da sigatoka negra, evoluem em pouco tempo, tomando grande parte da superfície da folha.
ProduçãoNo Paraná a área com banana é de 5.700 hectares. Cinquenta e cinco dos pomares estão localizados no Litoral, e o restante distribuído pelo Estado. A produção é de aproximadamente 67 mil toneladas, suficientes para abastecer apenas 30% do consumo do Estado.
As informações são do agrônomo da Emater, Élcio Rampazzo. Ele alerta para o risco da doença, que pode comprometer a expansão da bananicultura no Paraná. Segundo Élcio, o cultivo da banana dá uma boa rentabilidade para produtor, superando muitas frutíferas tradicionais. A bananicultura é geradora de emprego, ocupando em média um trabalhador para cada dois hectares, enquanto para a cultura de grãos, por exemplo, essa relação é de uma pessoa para cada 15 hectares.
O técnico explica que o plantio de banana está sendo sendo incentivado como alternativa para pequenas propriedades, e no Norte do Estado o município de Andirá já se tornou uma pólo de produção, com 600 ha cultivados por aproximadamente 40 produtores.Nós temos mercado comprador, condições climáticas boas para produzir e boa tecnologia, comenta.
A produtividade dos pomares na região Norte é excelente, em torno de 30 a 40 toneladas por ha, embora quando se fale nos índices médios para o Estado a produtividade caia para 14 ou 15 toneladas por ha. Élcio explica que na região do Litoral, onde mais se planta, a produtividade é baixa porque não se usam boas tecnologias, e estes resultados puxam a média para baixo.
Na região Norte 60% a 65% do consumo vem de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso. E daí a preocupação dos técnicos, produtores e pesquisadores com a chegada da sigatoka negra vinda com frutos importados. A doença exige em média 30 a 40 aplicações de veneno para seu controle, o que onera muito os custos de produção e pode inviabilizar a cultura entre os pequenos produtores, alerta.
A doença ataca folha e fruto, reduzindo o número de folhas, o tamanho das pencas e dos cachos e também o tamanho dos frutos, resultando no enfraquecimento geral da planta.Técnicos e produtores querem medidas para retardar a entrada da sigatoka negra no bananais do Paraná
Alternativa O cultivo de banana tem crescido no Paraná, como boa alternativa para pequenos produtoresA sigatoka negra ainda não chegou aos bananais do Paraná, e pode chegar em breve, se nada for feitoDoençaA produtividade no Norte do Estado é excelente, entre 30 e 40 toneladas/ha





