Perdas nos grãos armazenados
Jota Oliveira
De Londrina
Autoridades e empresas ligadas ao armazenamento de grãos no Brasil reuniram-se neste mês em Porto Alegre, para discutir perdas quantitativas e qualitativas de grãos armazenados. De toda a cadeia produtiva de grãos, as maiores perdas ocorrem nos armazéns, onde na média 10% da produção colhida desaparecem ou deixam de ser viáveis para o mercado. Como o Brasil tem capacidade para 83 milhões de toneladas de grãos armazenados, o País perde 8,3 milhões de toneladas em consequência do ataque de pragas.
Esse problema também prejudica a qualidade. O engenheiro-agrônomo Irineu Lorini, do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (Embrapa-Trigo), sediado em Passo Fundo, RS, disse que tem cinco pragas, basicamente coleópteros (carunchos, besouros), principais responsáveis pelos estragos nos grãos armazenados no Brasil. As medidas usuais de controle dessas pragas não têm dado certo. Tanto que as perdas podem chegar a menos de 1% em alguns armazéns e a mais de 50% em outros. Os prejuízos, em quantidade e qualidade, são causados principalmente no arroz, no milho e no trigo.
Esses danos na armazenagem são as maiores perdas na cadeia produtiva de grãos, diz o agrônomo. Ele explica que as perdas são maiores, porque ocorrem desde quando os grãos estão maduros nas lavouras, não apenas nos armazéns. Mas ocorrem principalmente nos armazens, onde as pragas têm alimento farto e boas condições de se multiplicar. Elas se multiplicam rapidamente e a cada 30 dias surge uma nova geração.
QualidadeEm painel na 1ª Conferência Brasileira de Pós-Colheita, com a participação de representantes de órgãos governamentais e da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós) discutiu-se como valorizar a qualidade dos produtos e se concluiu que os grãos precisam ser separados por qualidade, nos armazéns.
Para isso foram sugeridas ao Governo uma política de armazenagem e medidas técnicas, como manejo integrado de pragas, que previnam o ataque dos insetos. Existem poucas tecnologias para isso, na área de pesquisa. O armazém já retém a praga. Nós temos que primeiro tirar a praga de dentro do armazém, depois eliminar a praga da lavoura. Aí poderemos armazenar sem a presença da praga, diz Lorini.
O pesquisador observa que se perde qualidade por fungos que já vêm da lavoura e produzem micotoxinas nos grãos mais úmidos, que não foram secados adequadamente. Os grãos com presença de micotoxinas são prejudicados para fabricação de rações ou para o consumo humano, e não há meio de retirar as micotoxinas instaladas nos grãos. Logo, é preciso evitar a contaminação.
As micotoxinas são problema tão sério que, por exemplo, trigo com um inseto desqualifica o grão para o comércio, porque os moinhos não compram.
Na 1ª Conferência Brasileira de Pós-colheita falou-se também da necessidade de um padrão de qualidade de recebimento dos grãos, combate a pragas com medidas de controle integrado. Existem métodos até simples, como uso de extrato de plantas como sinamomo (santa-bárbara) e principalmente eucalipto, que tem óleos essenciais com propriedades inseticidas.





