Perdas na cadeia de suínos chegam a R$ 30 milhões
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A negligência ao BEA (bem-estar animal) na cadeia de suínos pode gerar perdas anuais na casa de R$ 30 milhões, estima estudo realizado pela Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC). E isso se trata de apenas 0,15% dos animais desembarcados em frigoríficos, o que mostra a representatividade da cadeia no País. Em 2017, foram produzidas 3,76 milhões de toneladas de carne no País.
O trabalho de pesquisa levou em conta 96 variáveis relacionadas ao ambiente, às instalações e ao manejo dos animais na granja, no embarque, no transporte, no desembarque e no período de descanso no frigorífico, e à tipificação das carcaças. Para essa análise, foram estudados os eventos que ocorrem nas 24 horas que antecedem o abate dos animais nos frigoríficos. "Parece pouco tempo, mas não é. A maneira como os animais são tratados nesse período influencia, inclusive, a qualidade da carne que é colocada na mesa", relata o pesquisador Osmar Dalla Costa, gestor do Núcleo Temático de Produção de Suínos da entidade.
As condenações por fratura, fratura sacral e hematomas representaram 40% do total. Esse tipo de lesão acontece devido à forte contração muscular que pode ocorrer durante o atordoamento elétrico dos suínos, ou seja, dentro do frigorífico, na última fase do manejo.
Histórico
Dalla Costa relembra que esse trabalho com o BEA iniciou de uma demanda do setor produtivo, quando a cooperativa Copérdia, de Concórdia (SC), mostrou dificuldade com os animais no transporte, no início dos anos 2000. "Começamos a desenvolver projetos e protocolos. Então realizamos o primeiro curso para os transportadores de suínos do Brasil." Após isso, o pesquisador diz que houve uma demanda muito grande do corpo técnico de empresas e cooperativas para entender o que era o BEA, sendo que hoje boa parte das empresas já tem os programas de abate humanitário.
Para o pesquisador, hoje o que mais preocupa o sistema produtivo é a migração do sistema de alojamento de matrizes na gestação. Hoje a grande maioria delas ficam em box de gestação e depois vão para as baias de parição. A indústria anunciou que até 2025 boa parte do setor pretende migrar de box de gestação para baias coletivas. Para o animal, essa mudança é significativa, porque nos box ele não consegue caminhar, apenas ficando deitado ou sentado. Nas baias coletivas ele pode interagir com os outros animais, conhecendo melhor o seu grupo. "O grande gargalo é como fazer essa migração, porque isso envolve recursos financeiros e uma mudança significativa dentro da granja."
De forma geral, Dalla Costa acredita que o setor está caminhando bem no que diz respeito ao BEA. "É claro que poderíamos estar andando mais rápido, mas muitas vezes se barra em questões que são alheias ao produtor e à iniciativa privada: uma reforma, por exemplo, em que é necessário uma licença ambiental. Assim dependo de fornecedor, de mão de obra...É um caminho sem volta, independentemente dos mercados interno e externo, precisamos desenvolver produtos de boa qualidade, sendo que tudo isso melhora o bem-estar dos animais e das pessoas envolvidas no processo." (V.L.)


