Perdas de soja ainda são altas
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Vânia Casado 
No Paraná, a previsão é que na safra 98/99 as perdas na colheita alcancem R$50 milhões. Na safra passada, as perdas somaram R$45,8 milhões. E olhe que o Paraná é o Estado que mais se preocupa em reduzir as perdas na colheita da soja, ressalva o extensionista estadual da Emater, Antoninho Carlos Maurina.
No País, o desperdício é calculado em R$370 milhões, com a perda de 22 milhões de sacas de soja. Os cálculos são da Embrapa Soja (Londrina), considerando o preço médio de R$16,70 a saca. Segundo a Embrapa, o produtor de soja ainda deixa nos campos em torno de 1,7 saca, por hectare, de soja, que ficam perdidos no solo das lavouras brasileiras. As maiores perdas ocorrem em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.
No Paraná foram economizados R$12 milhões na safra passada, correspondentes a 953.193 toneladas ou 3.616 sacas que deixaram de ser perdidas, graças a um esforço dos técnicos da Emater-PR e da Embrapa Soja, que se dedicam a um programa de redução de perdas. Há cinco anos o produtor paranaense vinha perdendo até duas sacas por hectare. As perdas ocorrem principalmente pela falta de capacitação do operador, pelo uso de máquinas velhas e falta de regulagem das peças.
DesperdícioO prejuízo maior no Estado ocorre nas áreas não assistidas pela Emater, disse Maurina. São aproximadamente 2,8 milhões de hectares, onde as perdas estão estimadas em 1,29 saca acima do nível aceito mundialmente, que é de um saco por hectare. O cálculo feito pela Emater é que 3.616.539 sacas de soja são perdidos anualmente. Já nas regiões assistidas pelos extensionistas da Emater, que também somam 2,8 milhões, a perda está avaliada em 2.663.343 sacas de soja, que correspondem a 0,95 sacas por hectare.
Essa diferença está sendo considerada na economia feita na safra passada, explicou Maurina. Técnicos da Emater e da Embrapa constataram que a falta de manutenção adequada das máquinas é um dos itens que mais pesam para ampliar os prejuízos e comprometem o rendimento até das máquinas novas. Cerca de 40% das máquinas têm mais de 10 anos de uso, enquanto as restantes não estão sendo utilizadas corretamente.
Para o técnico, antes os produtores que locavam máquinas eram os campeões do prejuizo. Hoje essa situação mudou. Os produtores que locam máquinas ficaram mais conscientes e viram que é necessário fazer ajustes de velocidade e das peças, na hora da colheita.
Redução de perdasA economia na colheita vem sendo favorecida por uma técnica desenvolvida pela Embrapa. Trata-se da metodologia do copinho, um medidor que aponta, no momento da colheita, se está ocorrendo perda ou não. A técnica, que está sendo repassada todos os anos aos produtores interessados, consta de uma ficha de campo, do copo volumétrico e de uma armação acoplada máquina.
Neste ano, a Emater pretende distribuir mais de 3.000 copinhos, para ajudar o produtor a controlar o uso inadequado das máquinas. Quem não for beneficiado com essa distribuição, poderá recorrer à Embrapa em Londrina ou aos escritórios da Emater, para adquirir o copo, a R$2,00 a unidade. Os técnicos da Emater concluiram que a maior incidência de perdas ocorre na plataforma de corte e em consequência da alta velecidade das máquinas. Só com o ajuste da velocidade da máquina para 4,5 a 6 quilômetros por hora e a rotação do cilindro, 50% das perdas podem ser eliminadas, calculou o técnico. Outros ítens como solos muito compactados e excesso de plantas daninhas na lavoura contribuem para a elevação das perdas.


