O clima também comprometeu a produção de pêras japonesas de Pedro Ito, que deverá colher apenas uma tonelada da fruta nesta safra. ''No ano passado, a produção chegou a 20 quilos (kg)/planta. Já este ano, se der 10 kg/planta será lucro'', calcula o produtor.
Ele cultiva 100 pés das variedades Okusamkiti e Atago. As plantas da variedade Tawanashi são usadas como porta-enxerto. A produção é comercializada na Feira do Produtor de Uraí e na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Este ano, Ito espera obter até R$ 2,50/kg da fruta. ''No ano passado, a colheita foi melhor, mas o preço era mais baixo, cerca de R$ 2,00/kg'', recorda.
Para o agrônomo Renzo Hugo, a pêra japonesa pode ser uma opção bastante rentável para os fruticultores quando o clima favorece. Com base na produtividade de Pedro Ito, que produz em uma área de 800 metros quadrados, Hugo calcula que o lucro médio de um hectare da fruta pode chegar a R$ 30 mil.
O raleio é fundamental para o bom desempenho da planta e deve ser feito quando a fruta está do tamanho de uma azeitona. ''Também é importante arquear os ramos, para garantir o equilíbrio entre as gemas reprodutoras e vegetativas'', explica o agrônomo.
Rústica, a pêra japonesa exige frio durante a florada. Este ano, analisa Hugo, o inverno atípico, com poucos dias frios, contribuiu para a diminuição da produção. ''A oscilação de temperatura desregulou as plantas'', afirma. Segundo o agrônomo, é fundamental adubar as pereiras, além de aplicar caldas que previnem a queda das folhas.
Por ser uma fruta de clima temperado, a quantidade de frio irá determinar o ótimo da produção. ''As variedades européias, por exemplo, precisam de 350 a 1,2 mil horas de frio durante o ciclo'', calcula Hugo. Para ele, saber escolher a variedade melhor adaptada ao clima regional é o que garante o sucesso do pomar. (M.G.)

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