Curitiba - Pequenos produtores de leite que não tiveram dinheiro para investir em pacotes tecnificados (a maioria cotados em dólar) e elevar a produção ficaram imunes à disparada do câmbio este ano. Eles trabalharam com um custo de produção inferior. Com isso, ganharam dinheiro com a crise, disse o pesquisador Arnoldo de Campos do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser).
Segundo ele, o pequeno produtor que criou seus animais somente com pasto e gastou pouco com medicamentos, teve rentabilidade este ano. Apesar de produzir só no período de safra, esse tipo de produtor conseguiu vender o leite com boa margem. O custo de produção do leite na agricultura familiar varia de R$ 0,07 o litro a R$ 0,15 o litro, para um produto que é vendido, em média, por R$ 0,32 o litro, disse o pesquisador.
No caso de propriedades com maior adoção de tecnologias o custo de produção fica entre R$ 0,30 a R$ 0,35 o litro. Para o chamado produtor-empresário, que adota tecnologias e usa maior número de insumos, o custo fica entre R$ 0,40 a R$ 0,45 o litro. Esse produtor, segundo Arnoldo de Campos, foi o que mais sofreu com a alta dos insumos. Normalmente com grandes rebanhos grandes, mão-de-obra especializada e investimentos na manutenção do padrão genético do rebanho, teve que desembolsar mais do que ganhou.
Para Campos, a existência de vários custos de produção no segmento da produção leiteira mostra claramente que o futuro governo deve privilegiar a agricultura familiar, com crédito para investimentos, garantindo também que esses custos não serão repassados ao consumidor final.

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