Pequenos produtores da região de Londrina conquistam melhores condições de vida e trabalho. O uso de tecnologias na condução de suas lavouras é possível graças ao suporte da pesquisa e assistência técnica, e proporciona bons resultados. Um desses projetos beneficia 80 produtores, que passam a produzir as próprias sementes de milho, libertando-se da dependência das multinacionais. O projeto une esforços de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), técnicos da Emater e as comunidades.
Pelos cálculos de Paulo Mrtvi, técnico da Emater, mais de 300 pessoas são atingidas pelo projeto que visa o resgate de variedades de milho perdidas por causa da opção de plantio de híbridos feita pelos produtores. Após quatro anos, oito agricultores já produzem sementes. ''A experiência deles é impulso para outros municípios'', diz, lembrando que o projeto foi estendido para Assaí, onde atende os agricultores da Associação de Produtores Orgânicos.
Os agricultores produzem sementes das variedades ST 0509, ST 2109, SR 2209, ST 1309, desenvolvidas pela UEL. Uma agricultora está produzindo a variedade crioula Carioca. Segundo os pesquisadores, as sementes têm rendimento entre 5.970 e 6.500 quilos por hectare.
Nesta semana, os participantes do projeto se reuniram num auditório da UEL para avaliar as ações, discutir e trocar experiências. Este ano, a novidade é uma classificadora de sementes a ar e peneira, instalada na UEL, que vai atender todo o grupo. ''Com a classificadora, os agricultores terão sementes melhores e sem defeitos'', explica o agrônomo Odairto de Oliveira Júnior, que no encontro fez a demonstração do funcionamento da máquina.
De acordo com o técnico, a classificação evita perdas na produção. Como as sementes são classificadas de acordo com espessura e tamanho, é possível impedir falhas na hora da semeadura. ''A maioria dos agricultores semeia com matraca. Se as sementes não forem uniformes, podem cair duas sementes num sulco e no outro não cair nehuma'', explica. Oliveira afirma que a classificadora separa as impurezas e deixa as sementes num só padrão.
A agrônoma Josiane Helena Alves deu um importante contribuição ao grupo ao falar sobre a conservação das sementes na propriedade. Além das técnicas para a produção, o produtor deve ter critério para armazenar o material. ''O local deve ser bem arejado, para evitar a incidência de ratos e fungos, que certamente vão interferir no resultado da lavoura'', diz.
Uma secagem adequada deixa a semente com grau de umidade adequado, entre 12% e 13%. O procedimento deve ser realizado sobre uma lona amarela, mas se não for possível, o produtor pode usar sacos de amiagem. Para armazenar uma alternativa são as garrafas pet, ou bombonas azuis, recipientes plásticos que são fornecidos pelo projeto. No último encontro, os agricultores aprenderam também a fazer o teste para determinar o grau de germinação das sementes.
participam do projeto agricultores das comunidades da Fazenda Akolá (distrito londrinense de São Luiz), Oitenta Alqueires (distrito de Paiquerê), Pó de Serra (Lerroville), Guairacá, Doze Tribos (Londrina), Libertação Camponesa (Ortigueira), União Camponesa (Tamarana), Florestan Fernandes (Florestópolis) e Associação dos Produtores de Orgânicos (Assaí).

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