Pequenos produtores diversificam
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 1997
Luiz Taques de Glória de Dourados 
Fotos: J. J. CajuGlória produz 196 toneladas de goiaba, além de muitas outras frutas
Das 964 propriedades rurais deste município localizado a 300 km de Campo Grande, 86% têm menos de 30 hectares. Somos um exemplo a ser seguido na diversificação agropecuária, afirma o prefeito, José de Azevedo, 59 anos, sete filhos. Ele se orgulha de ter sido o terceiro morador de Vila Glória - assim o núcleo da Colônia Federal de Dourados era chamado antes de virar município, em 1964. Hoje, Glória, com 49 mil hectares, tem 10.800 habitantes.
Segundo a Empaer (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul), atualmente Glória de Dourados produz 350 toneladas de casulo do bicho-da-seda, 9.750 toneladas de frango por ano, e 60 mil litros de leite por dia.
AgroindústriaHatsue Komori, produtora de frutas e de sucos naturais: satisfação visível
AlternativaAlém disso, o município produz 196 toneladas de goiaba, 1.351 toneladas de manga, 91 toneladas de acerola, 396 toneladas de maracujá e 10 toneladas de abacaxi por ano. A estimativa do Governo é que apenas a sericicultura proporciona um movimento no comércio local de R$ 150.000,00 mensais. Só com a avicultura de corte o Estado arrecada em ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) perto de R$ 400.000,00 por ano.
Café, amendoim, feijão e milho, foram algumas das culturas que chegaram junto com a colonização. Nas décadas de 40 e 50, o presidente Getúlio Vargas implantou na região a Colônia Federal de Dourados. A reforma agrária de Vargas beneficiou 10 mil famílias. Cada uma recebeu 30 hectares.
O prefeito José de Azevedo conta que o solo foi perdendo a fertilidade, sucessivas quedas na produção foram registradas nos anos 70, o que acabou provocando um considerável êxodo rural. Tivemos também de por um fim à erosão que ameaçava todo o município, lembra Azevedo, que administra Glória de Dourados pela terceira vez.
Francisco José Rigato, da Chácara Boa Esperança, produz bicho-da-seda
A alternativa era optar pela diversificação da produção agropecuária dos sítios e chácaras. Agricultores, governos municipal, estadual e federal uniram-se em torno da idéia. A partir da década passada, atividades como avicultura de corte, suinocultura, bovinocultura de leite, sericicultura, fruticultura, piscicultura e apicultura, ganharam a simpatia de pequenos agricultores.
TentativasPaulista de Pirapozinho, Francisco José Rigato, hoje com 40 anos de idade, chegou a Glória de Dourados com a família quando ainda era adolescente. Atualmente dono da Chácara Boa Esperança, de 18 hectares, ele lembra que a família primeiramente cultivou banana, mas veio o mal-do-Panamá e acabou com tudo.
Depois, a família montou uma fábrica de vassoura caseira, mas este projeto também não deu certo. Aí resolvemos plantar cana para fazer rapadura, mas nada ia muito tempo adiante, pois naquela época faltava calcário para corrigir a terra, recorda.
Com a diversificação adotada, atualmente Francisco Rigato cria na Chácara Boa Esperança 15 vacas leiteiras. Cada animal produz 10 litros de leite por dia. A produção é entregue a um laticínio local a R$ 0,20 o litro. Também produzimos aqui o bicho-da-seda e vendemos o quilo do casulo por R$ 2,80 a R$ 3,20, de acordo com a classificação, explica.
Acerola é um dos produtos cultivados em Glória de Dourados. Vira suco
Frutas e avesO Sítio Santa Cecília, de 30 hectares, pertence à família Komori. Toda a área era plantada com café, agora só temos cinco mil pés, para manter a tradição, observa Olácio Komori, 29 anos. Passamos a produzir o bicho-da-seda, frango para abate e frutas como acerola, goiaba, maracujá e manga, acrescenta a mãe de Olácio, Hatsue Komori, 59 anos.
Nesta safra, os Komori decidiram engarrafar artesanalmente parte da colheita de frutas - a produção diária de suco gira em torno de 300 garrafas de acerola ou maracujá. A garrafinha de 500 ml de maracujá está sendo comercializada a R$ 2,00 e a de acerola a R$ 1,50. Olácio Komori garante que é possível fazer seis litros de suco com uma garrafinha de maracujá e dois litros com a de acerola.
No Sítio Santa Cecília, os Komori plantam 650 pés de acerola, 500 de maracujá, 350 de goiaba e 80 de manga. O aviário dos Komori tem capacidade para criar até 15 mil pintainhos - em Glória de Dourados existem outros 49 aviários.


