Pequenos produtores de Londrina ainda faturam com a fruta
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sábado, 06 de julho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 
A região de Londrina ainda possui em torno de 98 hectares de área plantada de poncã. Em 2018, dados preliminares divulgados pelo Deral apontam uma produção de 2,45 mil toneladas na safra, o que corresponde em torno de 3% da produção estadual e um VBP (valor bruto da produção) de R$ 2,18 milhões.
Os pequenos produtores são prova de que é possível ganhar dinheiro com a tangerina. Um case interessante é de Fumio Nakanishi, que possui uma área de 20 alqueires no distrito de Guaravera. Depois da geada que dizimou as lavouras de café em 1975, ele apostou em frutas diversas na sua propriedade. Hoje, possui dois alqueires de poncã, em torno de quatro mil pés, a única variedade de fruta que manteve, já que o restante perdeu espaço para os grãos.

Fumio plantou o pomar em 1994 e consegue comercializar até hoje em bons valores. Valmir Nakanishi, filho de Fumio, ajuda nos trabalhos. Ele explica que as vendas do pai acabam sendo boas, principalmente porque ele consegue comercializar a variedade antes da chegada da poncã de Cerro Azul na região. “Mantivemos a poncã porque ela nos dá rentabilidade, em dois alqueires de soja não ia dar esses valores. Vendemos para fregueses diretos, mercados, sacolões... Uma venda pela outra, a média da caixa ficou em R$ 32. Agora está mais barata, em torno de R$ 18, por isso é boa essa safra antecipada”, relata o produtor, que terminou de colher há pouco mais de 15 dias.
Como pomar é antigo, o maior desafio acaba sendo a broca. Valmir cita também a mosca da fruta que atrapalhou demais a safra atual. Os Nakanishi, entretanto, relatam que não gostam de usar muitos defensivos. “Usamos mais a calda bordalesa e também o adubo 20-05-20 (NPK), além da cama de frango.”
No distrito de Lerroville, Eduardo Rosolin trabalha há 25 anos com poncã. São 2,5 alqueires dedicados à variedade, além de 1,5 alqueire com foco na laranja. “Em área pequena, grãos não fazem nem pra gente comer. Desde quando a Emater me sugeriu a tangerina e a laranja, gostei das frutas e vi que seria um bom negócio. A adubação e a colheita dão um pouco de trabalho, mas vale a pena.”
Atualmente, Rosolin entrega sua produção na Ceasa, em torno de cinco mil caixas que terminaram de ser colhidas em junho e foram vendidas entre R$ 25 e R$ 30. Para continuar sendo um bom negócio, o produtor aposta na renovação do pomar de forma gradativa. “A última vez foi há oito anos e devo fazer novamente (em breve).”
“Mantivemos a poncã porque ela nos dá rentabilidade, em dois alqueires de soja não ia dar esses valores"
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