Os 105 produtores de pepino de Ivaté, Xambrê, Alto Piquiri, Tapira, Umuarama e outros municípios da região estão colhendo sua maior safra desde que começaram, quatro anos atrás, uma parceria com a Zaeli, indústria do ramo de alimentos, de Umuarama, que vende o produto em conserva.
Com uma produção de 4 mil kg/dia, a previsão é encerrar o ano com 1 milhão de kg (que devem movimentar R$ 1 milhão). Tanta matéria-prima tem mercado garantido porque a marca domina o segmento.
Importante quanto a economia é a função social da atividade. O pepino garante trabalho para 400 pessoas durante pelo menos 7 meses, de setembro a abril. No período são feitas várias colheitas - a planta tem ciclo de 60 dias. Muitos produzem morango, como complemento, de abril/maio até setembro/outubro. Na fábrica, o pepino dá emprego para 80 pessoas.
O legume é uma cultura intensiva, que absorve a mão-de-obra familiar. Em 350 metros quadrados é possível colocar 350 plantas, que produzem, em média, cerca de 2,5 kg por planta, que são vendidos por 55 centavos o quilo. Segundo Juan Mujica, técnico de campo do projeto, o pepino confere uma boa rentabilidade à agricultura familiar.
A Zaeli até que poderia continuar com o fornecimento terceirizado, recebendo a matéria-prima pronta. A decisão de substituir esses fornecedores atacadistas por um projeto junto aos agricultores da região foi tomada depois que diretores da Zaeli conheceram a produção de Santa Catarina. Wagner Antônio Zago, diretor-administrativo da empresa, verificou que aquela atividade, poderia ser desenvolvida próximo à fábrica no Noroese do Paraná. A empresa achou que poderia oferecer uma opção para os pequenos proprietários da região, que tinham pouca chance de agregar valores nas culturas tradicionais. Além disso, a indústria poderia controlar o padrão de qualidade.
No início do projeto a produtividade era modesta, cerca de 300 grama por pé, hoje são mais 2,5 kg em média.
A parceria tem início no fornecimento de sementes ao produtor, e logo após o plantio, o técnico da empresa acompanha o desenvolvimento das plantas até a colheita. Este acompanhamento, que tem a participação de técnicos municipais, é que confere padrão e qualidade do legume.
Para o produtor do distrito de Elisa, Deonir Antônio Scabeni, o apoio da indústria é fundamental. Ele tem cinco alqueires e se dedica também à produção de leite. Scabeni tem 5 mil pés de pepino em estufas, pretende ampliar a produção para 20 mil pés.

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