Os orgânicos, de fato, podem ser mais rentáveis. Entretanto, não é apenas o dinheiro no bolso que move os produtores a apostar na atividade. Muitos deles estão à procura da segurança alimentar para sua família, diminuindo, inclusive, os riscos do trabalho diário com a aplicação de perigosos defensivos.
Em uma área de quatro alqueires localizada em São Sebastião da Amoreira (Norte), o produtor Nelson Hideo Maruyama produz uma diversidade de produtos orgânicos, que inclui tomate, pepino, milho verde, algumas folhosas, entre outros. Entre os anos de 2011 e 2012, ele recebeu uma proposta do Instituto Emater para realizar a conversão e não titubeou. "Já havia o interesse, mas não havia uma porta aberta para começar. Estava sofrendo muito com o cultivo convencional, não conseguia boas colheitas e nem fazer o controle das pragas e doenças, além do contato direto com agroquímicos", relembra ele.
Desde então, ele foi realizando a conversão da área gradativamente até que, em 2013, conseguiu a certificação. Mas com ela veio um grande problema: a dificuldade de comercialização, com o sistema de consignação da Centrais de Abastecimento (Ceasa). Desanimado e sem retorno financeiro, Maruyama resolveu deixar a certificação de lado, mas continuou mantendo o cultivo orgânico com bastante rigor. "Mantive o manejo porque pensei no bem-estar da minha família. Pelo lado agroecológico, vejo também que a planta fica diferente, mais vistosa e saudável", relata.
Neste ano, o produtor viu melhor perspectiva para as vendas, com empresas da região fazendo novo cadastramento de produtores e, claro, as vendas para o governo por meio dos conhecidos programas. Ele bancou a auditoria da certificadora e, em duas ou três semanas, deve voltar a ser um produtor apto a vender orgânicos. "A comercialização que farei agora será mais justa. Sabendo que agora terei mercado, resolvi retornar à certificação. Não acredito que o financeiro mudará muito, mas pelo menos as vendas e a saúde da minha família estarão garantidas." (V.L.)

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