Imagem ilustrativa da imagem Pelos olhos do pedestre



As corridas de rua são oportunidades de ver a cidade mais de perto. De pé em pé, quem faz o trajeto, correndo ou caminhando, tem a cidade a seus pés. Londrinense ou não, pés-vermelhos de coração, um a um, todos observadores são. É geralmente aos domingos pela manhã que os moradores são acordados com tendas, sinalização diferenciada e um sem fim de pessoas que roubam atenção não só pela indumentária colorida. De diferentes idades, em seus ritmos, os atletas amadores ou profissionais correm pela superação do tempo, de seus limites pessoais e, a seu modo, cada um tem o que comemorar. Pela coragem de correr e ser visto, por conseguir fazer a inscrição no prazo, por voltar a correr depois de uma cirurgia e por querer mostrar a todos que a limitação de caminhar de um filho, não é impedimento para ali estar e cruzar, com dignidade, largada e chegada nos braços do pai. Moradores batem palmas para os corredores, acenam e gostam de dar bom dia para cada leva que passa.

A beleza do lago Igapó é frequentemente um atrativo para a concentração de corridas. Pelo seu aterro, sua pista e o convite que faz à prática de atividades físicas. Nos trajetos, é possível contemplar uma fachada antes ignorada quando se está no papel de condutor de um carro. O cheiro do jatobá é uma experiência e tanto e põe o participante que ali nunca passou a questionar: "Que cheiro é esse"? Também tem cheirinho de mato que vem dos eucaliptos do aterro do lago quatro e o frescor da manhã é outro para quem corre. Com as bochechas rosadas e o suor que estampa as camisetas, dá pra ver do que a atividade física é capaz. Educadores físicos, médicos, agentes do trânsito e equipes de comunicação também montam equipamento para ver quem foi correr, num domingo de manhã. "Quem são esses loucos, pensam alguns".

E nas fotografias, reproduzidas seguidamente nas redes sociais, dá pra ver mais como é grande essa turminha que gosta de correr e descobriu, na prática boa e barata, quanto é bom ver a vida de um ângulo diferente, de uma postura diferente. Correndo, mas sem pressa. É possível. A experiência ao ar livre joga vento no rosto, bagunça os cabelos e traz uma sensação de liberdade e gratidão. Sentir os pulmões trabalhando, as pernas obedecendo e o pulso bem ativo. É verdade também que há um "q" de espaçosos entre os corredores, que ganham para eles ruas sem ter limite de velocidade, correm pela contramão, não precisam nem sinalizar e dão oi e tchauzinho a quem torce e grita o nome do passante, sem se preocupar com o vai-e-vem de carros, que é diário em uma cidade como Londrina. Percursos variados, de certo, são mais desafiadores e também um ensejo de motoristas que gostam dos eventos, mas não de ficarem sem alternativas para o destino programado. Mas vamos nos acertando, Londrina e organizadores precisam amadurecer nas provas e fazer as pazes com quem pegou bronca das corridas porque um dia se viu sem saída. Corre ali, dá um abraço e fica de bem de quem corre.

Walkiria Vieira, jornalista do NOSSODIA

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