Agricultor nato, João Pedro Volpato, 50 anos, foi pioneiro na prática do plantio direto em Sarandi. Numa época em que os herbicidas custavam mais caro que o óleo diesel, o produtor resolveu arriscar a adoção de uma tecnologia conservacionista para combater a erosão. Mais de 25 anos depois, os resultados não poderiam ser melhores.
Além de proteger o meio ambiente, o sistema reduz os custos de produção no sítio de 70 alqueires cultivado basicamente com grãos. ''Usa-se menos máquinas e mão-de-obra e o desgaste dos maquinários, assim como o consumo de óleo diesel é menor'', aponta Volpato.
Com o sistema de plantio direto, a produtividade também aumentou, graças à rotação de culturas. ''Sem rotação o plantio direto não sobrevive'', reforça. ''Em anos normais, não se vê tanto a diferença na produção, mas em anos secos, a vantagem do plantio direto é escancarada'', completa o agricultor.
Para obter a melhor produtividade com o menor custo e assim garantir a sustentabilidade da atividade agrícola , Volpato dividiu a propriedade em três talhões. No inverno, um talhão cultivado com milho safrinha e outro com aveia dão lugar a dois talhões de soja no verão. Já o talhão cultivado com nabo forrageiro consorciado com aveia no inverno recupera o solo para o milho de verão.
O produtor ainda rotaciona as áreas com outras culturas como girassol e milheto no inverno. Nos últimos três anos, a colheita foi abaixo da média devido à seca, mas a produtividade das lavouras gira em torno de 150 sacas/alqueire de soja e até 400 sacas/alqueire de milho em anos bons. Segundo Volpato, sem o plantio direto a produtividade ''certamente seria 30% menor''.
''Se não fosse o plantio direto não eu seria mais agricultor'', comenta. ''A erosão já teria levado a terra para o rio e eu nem teria percebido'', avalia o produtor, afirmando ter eliminado 50% das curvas de nível da propriedade. ''Sempre tive uma visão empresarial. Acredito que se o agricultor não acompanhar o desenvolvimento tecnológico, ele fica para trás.''

mockup