Pela água a pior batalha - Jota Oliveira
Jota Oliveira
As guerras eram causadas pela ambição de governantes que desejavam expandir seus impérios; outros matavam povos, por uma mulher; por ouro e pedras preciosas; mais tarde, a motivação foi também econômica (arroz, especiarias, petróleo), ideológica e/ou religiosa. Hoje briga-se também por causa da miséria e da fome em todas as regiões do mundo. No futuro, poderá ser pelo domínio da água.
Água. Este é o recurso natural que mais tem preocupado os organismos internacionais e estará na raiz dos futuros conflitos entre os países, conforme matéria distribuída pela Agência Brasil, citando o jurista português Mário Baptista Coelho, assessor da Presidência da República de Portugal para assuntos ambientais, que esteve recentemente no Brasil. O assunto está no espelho (páginas centrais) desta edição, e mostra uma perspectiva muito preocupante, mas também uma estratégia para ampliar o limite do cáos.
Coelho informa que a Europa terá, dentro de no máximo seis meses, legislação única para o planejamento e gerenciamento da água. Ele é especialista na área ambiental e, como jurista, atua em várias frentes: além de ser assessor da presidência da República de Portugal para assuntos ambientais, é diretor do Centro de Estudos de Política Internacional do Ambiente, da Universidade de Aveiro, onde é professor, e é adjunto do presidente da Comissão Independente dos Oceanos, cujo titular é o ex-presidente de Portugal, Mário Soares.
Conhecedor do ramo ambiente, Coelho declarou que o Brasil tem obrigação moral, cívica e ambiental de liderar a discussão em torno do assunto, junto aos países do Mercosul e, por extensão, de toda a América do Sul. Outros motivos apontados por ele: o Brasil é o país mais populoso do Continente, tem mais recursos naturais, é o maior em extensão e também o mais rico.
Exemplo na raiz de um conflito: a capacidade da Bacia do Prata foi seriamente reduzida, devido à construção de barragens, e o Brasil a qualquer momento pode receber a fatura do Uruguai e da Argentina. Este é um dos aspectos da questão: a guerra. Mais terrível, porém, é a ameaça também concreta sobre toda a Humanidade: continuando no ritmo atual de poluição dos rios, mares e fontes mesmo de um mar de água doce como os aquiferos (ler nas páginas 6 e 7 desta edição) o Homem em futuro não muito distante poderá estar se matando por um copo de água limpa.
O autor é editor da Folha Rural.





