Peixes nativos, opção no cativeiro
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Cristina Côrtes 
PesquisaA bióloga Sirlei Bennemann quer ampliar o trabalho feito pela Estação de PisciculturaA pesquisa com espécies de peixes nativos e regionais da Bacia do Rio Tibagi, especialmente o pacu, piavuçu e piapara, será prioridade da Estação de Piscicultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo a bióloga, responsável pela Estação, professora Sirlei Terezinha Bennemann, no Brasil não existe quase nada em pesquisas ou tecnologias disponíveis para orientar a criação, em cativeiro, de peixes de água doce, e o interesse por esta atividade vem crescendo, principalmente no Paraná.
A maior parte das informações disponíveis até agora se restrige à reprodução induzida, e quase nada com relação a manejo, nutrição e desenvolvimento das principais espécies nativas, informa Sirlei. A professora confirma que já existe interesse dos piscicultores pela criação de espécies nativas.
EquilíbrioA criação de peixes nativos e regionais vem se tornando atrativa, do ponto de vista econômico, e traz muitos benefícios ao reequibilibrar naturalmente as condições dos rios e lagos. Nos últimos anos, com o crescimento da piscicultura e dos pesque-pague na região, tem ocorrido um aumento significativo da população de peixes exóticos.Estas populações levam ao desequilíbrio ambiental nestas áreas, quando as instalações destas pisciculturas são inadequadas e os peixes escapam para o ambiente natural, afirma a bióloga.
A Estação de Piscicultura da UEL vai continuar a produção de alevinos para comercialização
Segundo Sirlei, as pessoas que vão hoje aos pesque-pague não querem pescar carpas ou tilápias, preferindo outros peixes como o pacu, a piapara e o curimba. E a procura por estes peixes é maior na Estação de Piscicutura da UEL, que produz alevinos para venda.
Além das três espécies (pacu, piapara e piavuçu) selecionadas para iniciar o trabalho, outras espécies serão estudadas, como o curimba e a piracanjuba (peixe comparado ao salmão, pois é muito saboroso e de carne rosada, nativo da Bacia do Tibagi, mas pouco encontrado).
Ensino e pesquisaA Estação de Piscicultura da UEL foi criada em 91 com o objetivo de auxiliar na melhoria das condições ambientais da Bacia do Rio Tibagi, e trabalha até hoje integrada ao convênio UEL/Copati/Klabin, dentro do projeto Aspectos da Fauna e Flora do Rio Tibagi.
Até o ano passado a Estação de Piscicultura se restringiu a atender as solicitações da comunidade e se concentrou na produção de alevinos para comercialização.
A partir deste ano, sob a coordenação da bióloga Sirlei, o trabalho será ampliado, visando aproveitar as instalações já existentes, e atender as atividades de pesquisa e extensão. Dentro de uma visão mais ampla, não podemos falar simplesmente em repovoamento da Bacia do Tibagi, introduzindo qualquer espécie de peixe. É necessário repovoar a partir das condições existentes hoje, que são muito diferentes, por exemplo, da situação de dez anos atrás, pondera a bióloga.
O pacu será uma das espécies nativas regionais pesquisadas
A tilápia como um dos peixes mais cultivados na piscicultura da região e a corvina introduzida na Bacia do Paraná já se encontram na comunidade de peixes de trechos do Rio Tibagi. Estas espécies são oportunistas e podem acabar expulsando outras espécies ali instaladas, bem como causar outros impactos ainda imprevisíveis.
Segundo Sirlei, a tilápia é hoje uma das poucas espécies das quais existem técnicas conhecidas de criação e manejo, e por este motivo teve seu desenvolvimento mais rápido. O que queremos é pesquisar outras espécies, especialmente as nativas da região, para oferecer estes conhecimentos e novas opções aos piscicultores.
Esta nova rotina de trabalho da estação de piscicultura vai depender da liberação de recursos do convênio UEL/Copati/Klabin, e de outros, ou de empresas interessadas nessas pesquisas, bem como da contratação de pessoal especializado na área.
Uma boa produção de peixes em cativeiro depende de orientações específicas para o produtor
A professora destaca que parte das etapas para o desenvolvimento das pesquisas já foi realizada, como por exemplo a obtenção de peixes (alevinos e jovens). No período de novembro de 96 a fevereiro de 97, época principal para a reprodução artificial, foram multiplicadas as espécies de pacu e piavuçu. A produção execedente destes peixes (pós-larvas e alevinos) foi repassada aos piscicultores da região.


