Peixe fora do hábito
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sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Jota Oliveira 
O brasileiro não têm hábito de consumir pescado regularmente. O consumo per capita não chega a um terço do consumo mundial. Situa-se abaixo de 5 quilos por habitante/ano.
Equanto na Europa o consumo per capita de produtos congelados à base de pescado é de 4 kg/ano, no Brasil não se consomem nem 300 gramas, registra o Departamento de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura. Técnicos do Ministério acreditam que não seria necessário estimular novos hábitos alimentares, mas apenas conquistar os consumidores já habituados com esses produtos.
Sete países, China, Peru, Chile, Japão, EUA, Rússia e Indonésia, são responsáveis por 50% das capturas pesqueiras mundiais. A China é também o País com maior volume de capturas de pescado em águas doces (rios, represas, lagos e lagoas). Sua produção é três vezes maior do que a do segundo colocado, a Índia. Sozinha, a China é responsável por 67,8% da produção aquícola mundial.
Em 96, a aquicultura movimentou US$52,5 bilhões, apenas em exportações. Isso equivaleu a 11% das exportações mundiais de toda agricultura e 1% do mercado formal da economia do Planeta.
No entanto, a pesca vem demonstrando uma forte tendência de queda nas últimas décadas, beirando a estagnação. Nos anos 50, 60 e 70, as capturas apresentaram um aumento médio de 6% ao ano. ''A situação fica mais grave ainda, se considerarmos que nesse período aumentou o número de barcos pescando e que houve grande avanço tecnológico de captura, ou seja, o esforço de pesca aumentou'', comenta José Borghetti, do Ministério da Agricultura.
Esse aumento do esforço culminou, em vários pontos do País, com um estágio sobre exploração pesqueira que, agravado por questões de ordem política, econômica e administrativa, levou várias indústrias dependentes da pesca marítima para a obtenção de sua matéria-prima a pedir concordata. Muitas fecharam definitivamente as portas e outras ainda funcionam precariamente.
Os dados estatísticos relativos à produção brasileira de 1998 vêm sendo totalizados no livro ''Aquicultura para o Desenvolvimento Sustentável''.
Cerca de 70% do total do pescado produzido no mundo são provenientes da pesca e 30% da aquicultura. As capturas de organismos marinhos são responsáveis por 90% dessa produção pesqueira, 8% são capturados em água doce e 2% em água salobra. Estima-se que, em 1998, a safra brasileira tenha atingido 700 mil toneladas, insuficientes para atender a demanda interna.
Por isso, o Brasil é hoje o maior importador de pescado da América Latina, com déficit superior a US$350 milhões por ano na balança comercial. Apesar do vasto mar territorial (mais de 8 mil km de extensão), a produção brasileira não chega a 1% da produção mundial. Somos o 25º no ranking internacional.
''É difícil definir qual a rentabilidade média obtida com a aquicultura, porém, não é raro encontrar produtores que conseguem obter margens comprovadas de mais de 100%'', salientou o biólogo José Borghetti, do Ministério da Agricultura.
''Mesmo considerando esses casos extremos, a receita média por propriedade estaria hoje chegando no máximo a R$446/R$521 por ano, ou, o equivalente a R$37-R$43 mensais. Uma receita dessas não permite que ninguém viva exclusivamente da piscicultura'', reconheceu.


