Alguns dos maiores criadores de limousin apostam na recuperação do mercado. Eles partem do princípio que: a) a raça tem a melhor carne e o menor tempo de abate: dois anos, 16 arrobas, b) é a melhor opção no cruzamento com nelore, c) está se expandindo para regiões de clima quente, até poucos anos atrás considerado fator limitante.
Os produtores paulistas João Carlos Seiscento, Carlos Squillaci e José Franklin, que é presidente da Associação Paulista de Criadores de Limousin, divergem nos detalhes mas concordam num ponto: depois de ver seus preços recuados nos últimos dois anos, o Limousin deve iniciar uma nova fase de crescimento.
Seiscento se prepara para fazer grandes compras. Por que, agora? - pergunta um colega durante conversa informal durante a Exposição de Londrina, esta semana, duvidando que uma reação favorável ocorra ainda este ano. Seiscento acha que o preço do Limousin atingiu o fundo do poço e, agora, com a expansão da pecuária de carne, é visível a reversão de tendência.
Seiscento espera comprar cerca de 1.000 novilhas até o final do ano. Ele acredita na recuperação de preços só que em outras bases, mais realistas, e considerando uma oferta bem maior. Até uns quatro anos atrás - lembra - o Limousin estava restrito a um grupo menor de criadores, uma elite que ditava o mercado. O círculo agora está mais amplo, o modismo não é a principal determinante de preços. Além disso, é preciso entender - segundo Seiscento - que, em última análise, o produto final é a carne, sujeita a regras do mercado como outra mercadoria importante, mas submetida aos caprichos do mercado.
Franklin, sem perder de vista que a raça representa qualidade, prefere buscar motivos na macroeconomia para justificar a fase ''de cautela'' e de preços baixos. Também enfoca o ambiente econômico para falar sobre o futuro.
''Não são o touro ou fêmea Limousin que estão mais caros ou mais baratos; é o produto deles'', disse. Ao longo de sua explicação Franklin, lembra que a arroba da carne caiu do seu patamar histórico de US$ 22/23,00/arroba, seis anos atrás, para US$ 14 a US$ 15,00/arroba. Foi a partir do Plano Real, observou.
Carlos Squillaci, na condição de investidor, ainda tem na raça Limousin um grande ativo real, a despeito das oscilações cíclicas do mercado, que considera normal. Ele garante que continuará ampliando seu plantel.
Todos concordam, porém, que o desaquecimento do Limousin ficou bem acima de 50%, talvez uns 70% em termos reais.
Consultado pela Folha Rural, o técnico Pedro Nunes, do Programa Extralim - Araucária Genética Animal, prefere usar o termo ''estabilidade'' para definir o que está ocorrendo com o Limousin, depois da euforia dos anos 90. Nada mais do que uma acomodação do mercado, comum em vários segmentos da economia.
A ascensão do Limousin no Brasil teve dois grandes momentos, o boom de 1993-96 e 1998-2000. ''O ciclo da alta está prestes a retornar, e queremos desta vez que não seja em forma de boom, mas sim de retomada simplesmente de liquidez para dar tranquilidade ao mercado. Sabemos que isto depende da regra da oferta e procura'', afirma Pedro Nunes.

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