Pecuaristas criam aliança mercadológica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de março de 2005
Telma Elorza<br>Reportagem Local 
Para tentar fugir dos baixos preços pagos hoje à arroba do boi gordo, pecuaristas do Norte do Paraná estão buscando alternativas mercadológicas para melhorar a renda da produção. Uma dessas alternativas foi lançada no último sábado, durante o 1º Encontro de Criadores de animais de Sangue Angus, realizado na Fazenda São Manuel do Triunfo, em Londrina. No encontro, a Associação Paranaense de Criadores de Angus lançou a idéia, para cerca de 120 criadores da região, de formação de uma aliança mercadológica para comercialização da carne marca Angus no mercado brasileiro e internacional.
O objetivo, segundo o presidente do Núcleo, Paulo Olider Chiararia, é começar colocar a carne Angus no mercado interno em seis meses, em preparação para a exportação através de parceria com a Cooperativa Agrícola de Rolândia (Corol). O projeto têm apoio da Associação Brasileira de Angus (ABA).
De acordo com Chiararia, a idéia da aliança mercadológica surgiu da necessidade de recuperar a renda do produtor. ''Hoje, o pecuarista investe em genética e tecnologia de produção para melhorar a qualidade de carne. Mas, na hora de colocar no mercado, é roubado. Na maioria das vezes, o frigorífico impõe um preço que mal cobre os custos de produção'', reclama. Segundo ele, alianças do tipo, em Guarapuava e Paranavaí, já provaram que o caminho é rentável.
De acordo com o produtor José Antônio Fontes, que cria cruzados meio sangue Angus e um dos interessados na aliança, nenhuma renumeração extra é paga por um animal de carcaça pronta para abate aos 17 meses. Segundo ele, os frigoríficos pagam o mesmo para um novilho precoce ou um boi de 50 meses. Apontando a cotação de cotação de sábado passado R$53 a arroba para o boi e R$ 44 para a vaca, Fontes fez a comparação: ''Meu custo de produção, hoje, para um animal abatido aos 17 meses é de R$ 42,70 a arroba. É muito pouco para todo o trabalho que temos''.
Outro ponto que Fontes cita é falta de organização da cadeia da carne. ''Nós, pecuaristas, não nos preocupamos em nos mobilizar para exigir melhor renumeração como fazem os produtores de leite. Precisamos começar a botar valor naquilo que produzimos. E a aliança é um bom meio de fazer isso. Fazer grupo é ter poder de barganha, é criar volume para disputar mercados mais exigentes'', explica.
Segundo o veterinário do Núcleo, Antônio Chaves, a aliança preconiza um padrão de abate de acordo com as exigências do mercado, tanto para o dianteiro quanto para o traseiro. Chaves acredita que, depois do levantamento de interessados, de disponibilidade de animais e análise produção nas propriedades principalmente de manejos a padronização pode começar a ser feita em seguida. ''Em seis meses, poderemos estar produzindo o animal padronizado. A partir daí, podemos começar a investir na regularidade da oferta''. Segundo ele, uma aliança do tipo pode trazer boa rentabilidade aos produtores paranaenses, em torno de 10 a 12% por arroba. ''No Rio Grande do Sul, a Associação Brasileira já certifica a carne com 65% de sangue Angus. Para o Paraná, abriu a oportunidade de certificar a carne a partir de 50% de sangue Angus. Lá, os produtores com animal certificado, rastreado e planilhado têm recebido 5% a mais sobre o preço da arroba. Aqui podemos conseguir mais'', garante.


