Os produtores entrevistados pela Folha, sem dúvida, concordam que o ano foi bom para a bovinocultura de corte e estão com boas expectativas para que o cenário pelo menos se mantenha estável em 2016, apesar da inconsistência econômica do País. Muitos acham que o ideal seria que o dólar sofresse uma retração para atenuar os custos de produção. Algo quase impossível de acontecer quando se lê os números de mercado.
Com áreas no Paraná e Mato Grosso do Sul, o agropecuarista José Edson Baggio afirma que houve uma valorização considerável da arroba este ano, o que gerou boas transações. "É claro que, em contrapartida, a reposição de bezerros na propriedade também ficou mais cara. Mas isso é realmente do negócio, se o preço do boi gordo sobe, o do boi magro segue a mesma tendência", salienta. "O agronegócio foi muito bem em 2015. Não temos do que reclamar."
Para 2016, ele considera ser "difícil prever algo do futuro deste País", mas está confiante que os níveis de exportação continuem positivos, o que aponta para um ano interessante. "O ideal seria o dólar retornar a patamares mais justos. Os custos de produção estão nos assustando, sem contar a mão de obra especializada, cada vez mais difícil".
Já o pecuarista e diretor da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Humberto Barros, considera que 2015 teria sido ainda mais positivo se o consumo interno não tivesse em plena queda devido ao desemprego. Segundo ele, o consumo per capita de carne bovina de 50 quilos/ano para 40 quilos/ano. "Devido a essa queda, os abates de agosto até dezembro serão suficientes para manter o mercado interno abastecido. Muitos frigoríficos agora estão de olho nas exportações", analisa.
Após as festas natalinas, Barros acredita que o consumo do produto deva ganhar um fôlego nas primeiras semanas de janeiro. "A busca pela carne de boi aumenta bem neste período. Para 2016, tenho plena certeza que o dólar não abaixará e, se mantivermos as exportações fortes, o mercado permanecerá firme. A safra volta forte em fevereiro, mas não acredito em oscilações muito grandes no preço da arroba do boi gordo". (V.L.)

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