A corrida pela eficiência e sobrevivência na atividade sempre fez com que o agricultor adotasse tecnologias de produção cada vez mais intensivas. O mesmo não aconteceu com a pecuária. Durante muitos anos, uma boa parcela dos pecuaristas viveu de especulação financeira, mascarando a eficiência e o potencial de lucratividade, utilizando antigas técnicas de produção, sem consciência do verdadeiro potencial da pecuária.
‘‘O produtor que procura uma situação economicamente cada vez mais estável deve dar atenção especial ao manejo de suas pastagens, com objetivo de garantir maior longevidade destas áreas sem necessidade de grandes reformas ou recuperação’’, avisa o professor do Departamento de Produção Animal, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba (SP), Moacyr Corsi. Ele acredita que o pecuarista tem que ser hoje antes de tudo um bom agricultor para manter a sustentabilidade de sua produção.
Importância do manejo A preocupação inicial do pecuarista que quer melhorar os índices de produção de sua propriedade, deve ser com a fertilidade do solo onde está instalada a pastagem, ensina o professor da Esalq. Segundo Corsi, não se pode mais conviver com a velha mentalidade de destinar às pastagens as piores áreas da propriedade. ‘‘O objetivo hoje é colocar o maior número de animais por área e engordá-los em menor tempo. Para isso é preciso manejar bem as pastagens.’’
Segundo dados da Embrapa, a lotação média de pastagem brasileira ainda é muito baixa: meia unidade animal por hectare. Mas observa-se que em fazendas onde as pastagens são bem manejadas se mantém uma lotação de 7 unidades por hectare, ou até mais. ‘‘Existem várias formas de conseguir melhorar os índices. Uma delas é devolver a fertilidade perdida, fazendo a correção e adubação clássica,’’ completa o professor Corsi.
Em consórcio A recuperação de áreas de pasto degradadas pode ser feita em consórcio com a agricultura. O pecuarista acaba vendendo o grão e reduz o custo de reforma. Pode ainda terceirizar o serviço e receber, depois de um tempo, o solo recuperado. A opção pelo consórcio e a terceirização vai depender da demanda pelo solo agrícola onde está a propriedade. ‘‘No Paraná, geralmente, existe grande demanda por terra para arrendamento. O bom pecuarista é aquele que trabalha pela integração das duas atividades, pecuária e agricultura.’’
‘‘O resultado do mal uso das áreas de pastagens foi a degradação e falta de sustentabilidade da pecuária,’’ avalia Corsi. Dados da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), indicam que hoje 80% dos 60 milhões de hectares de pastos cultivados no País, que respondem por mais de 50% da produção de carne brasileira, estão em algum grau de degradação.
Ajustes na produção ‘‘O sucesso na pecuária exige hoje uma mudança de mentalidade e a quebra de conceitos antigos de como levar a atividade. A exemplo dos agricultores, os pecuaristas têm que fazer ajustes nos seus sistemas de produção a fim de tornarem-se competitivos,’’ garante Corsi. Ele cita exemplo de agricultores que a procura de melhores índices e rendimentos fazem constantemente um ajuste na adoção de tecnologias.
‘‘Na década de 70, por exemplo, os agricultores tiveram que se ajustar para aumentar a produtividade do milho. Naquela época perceberam que a produtividade de 2 mil kg/hectare era inviável. Hoje sabem que produzir abaixo de 4.500 kg/hectare também é inviável. Para obter maiores rendimentos adotaram tecnologias de produção.’’ Enquanto isso, na pecuária, segundo Corsi, na maioria das regiões produtoras, este ajuste não aconteceu. ‘‘Em algumas propriedades ainda encontramos sistemas de produção usados no século passado.’’
Procura por tecnologias ‘‘Quando se tinha ganho financeiro no mercado podia-se mascarar a ineficiência,’’ afirma o agrônomo Fernando Gebara, da Agropecuária Boa Vista, de Londrina.
Gebara, que dá consultoria e assistência técnica para pecuaristas no Norte do Paraná, garante que nos últimos anos tem aumentado o interesse pela adoção de tecnologias para aumento de produção por área.
‘‘Boa parte ainda se asusta com os investimentos a serem feitos. Normalmente quando o pecuarista já é um agricultor, lida melhor com isso. Quando mostramos o resultado de quem maneja bem as pastagens e utiliza um sistema rotacionado de pastejo, normalmente ele se convence de que é preciso investir em tecnologia.’’

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