A produção de carnes no Brasil hoje pode ser feita com adoção de vários sistemas que englobam o confinamento e o semiconfinamento, a utilização de cruzamentos ou animais compostos, o boi castrado ou inteiro e o boi orgânico ou verde.
Segundo o professor Albino Luchiari Filho, da USP de Pirassununga (SP), o cruzamento é usado para a complementar características econômicas, com a heterose ou vigor híbrido entre duas raças, como precocidade, por exemplo. Esse sistema permite atender nichos específicos de mercado. A desvantagem, de acordo com o professor, é que os animais podem ser mais exigentes.
O uso do boi inteiro, esclarece Luchiari, proporciona maior ganho de peso dos animais, melhor conversão alimentar, uma carne mais magra e maior transformação de alimentos em proteína animal. A desvantagem é que os animais deste sistema têm o dianteiro avantajado, maior suscetibilidade ao estresse e necessidade de abate mais cedo.
Para a produção orgânica, que registra crescente demanda, especialmente para exportação destinada a abastecer o mercado europeu, o Brasil possui solo e extensão, clima e outras condições para fazer este tipo de animal. Mas, segundo Luchiari, o mercado ainda é limitado.
Para aderir a qualquer tipo de sistema de produção, no entanto, alerta o professor, é necessário que o pecuarista faça dentro de sua realidade. Outra necessidade, segundo Luchiari, é a organização da cadeia produtiva, uso de tecnologias para melhorar a qualidade e aumentar eficiência e produtividade; além do treinamento de mão-de-obra em todos os níveis (fazenda, transporte, frigoríficos e setor varejista). Depois disso, o passo seguinte é fazer um marketing integrando todos os segmentos, desde o produtor até a comercialização, com campanhas de esclarecimento ao consumidor, informando vantagens do produto, salientanto prós e contras.

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