Pecuarista faz boi verde confinado
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sexta-feira, 07 de setembro de 2001
Cláudia Barberato 
O pecuarista Ricardo Merolla, de Santa Helena de Goiás (GO), no Centro-Oeste do País, faz a produção do chamado boi verde, com recria a pasto e engorda no confinamento. Na recria os animais são alimentados somente a pasto e recebem sal mineral. No confinamento a dieta é a base de vegetais e sal mineral, o que garante a continuidade do processo do chamado boi verde, um animal que só se alimenta de verde.
Os animais são confinados para resolver o problema da seca e colocar rapidez na terminação. A lucratividade, segundo o pecuarista, em anos normais chega a 20%. Este ano, com o preço alto dos bezerros e a redução do valor da arroba do boi gordo, ele calcula lucratividade de 13%. Segundo Merolla, historicamente a arroba deveria valer de US$ 22 a US$ 23, mas está em US$ 16.
Novas perspectivas Assim como Ricardo Merolla, cresce no País o número de projetos para obter uma carne cada vez mais diferenciada do sistema convencional, para ofertar qualidade e sanidade. O sistema de produção de Merolla foi um dos exemplos apresentados no 3º Encontro Nacional do Boi Verde, em Uberlândia (MG), de 23 a 25 de agosto, uma promoção de criadores mineiros, que também investem no boi criado a pasto.
Outros projetos como o vitelo pantaneiro, no Mato Grosso do Sul, ou o boi orgânico, da região de Nova Andradina (MS), também despontam como alternativas para abastecer o mercado de uma carne diferenciada.
Mercado promissor Em muitos desses projetos o objetivo é a exportação, mas há quem esteja produzindo de olho no potencial do mercado interno, que é muito maior. O Brasil exporta apenas 9% do que produz. Até o final de ano, mais de 32 milhões de bovinos terão sido abatidos, com a oferta de quase 7 milhões de toneladas de carne, dos quais cerca de 800 mil t serão exportadas e 6,2 milhões/t serão consumidos no País. A pecuária deverá movimentar perto de US$ 25 bilhões em 2001, consolidando sua posição de principal atividade primária do Brasil.
Bom gerenciamento De olho nesse mercado e acreditando na valorização da carne que produz, o pecuarista Ricardo Merrolla não mede investimentos. A meta é terminar 15 mil cabeças esse ano, mas o projeto comporta 20 mil bois. Ele acredita na viabilidade do negócio pela alta lotação e a qualidade da pastagem que recebe adubação e pode alimentar bem os animais. Merolla vende a produção para uma grande rede de supermercados que abastece mercado interno e consegue 3% a mais na arroba. Outro fator determinante, segundo Merolla, está no gerenciamento que dá ao seu negócio. ''Existe muito pecuarista que não faz planilha de custos, nã gerencia. O grande trunfo da pecuária brasileira é o alto potencial de produção a base de pasto, mas nossas pastagens estão degradadas, por isso é preciso investir na recuperação e manter a qualidade e saber gerenciar todo o negócio.''
''O meu projeto é baseado na fertilidade, produção de forragem abundante, animais bem comprados e confinamento bem feito para receber bem os animais. Por isso ganho em lotação, no pasto, e em escala no confinamento. Mesmo que a arroba esteja abaixo do desejado é possível obter lucratividade.''
Sistema rotacionado A produção na fazenda Santa Fé, de Merolla, começa com a compra de bezerros, com 200 quilos, que são alimentados a pasto de capim brachiária, mombaça e tanzânia e recebem sal mineral. A rotação é de dois dias em cada piquete. Ao todo são 16 piquetes por módulo. Cada piquete tem um descanso de 30 dias. Ao final de um mês, quando os animais voltam para o primeiro piquete, o capim já tem altura suficiente para proporcionar um alimento de qualidade e energia.
O processo de recria a pasto rotacionado é feito com cerca elétrica. Os animais que não antigem peso de abate (até 490 quilos) são confinados. ''De maio até novembro os animais vão sendo confinados e os pastos ficam liberados para novos bezerros que serão engordados no ano seguinte.''
Só a base do verde A rotação do pastejo, segundo Merolla, aumenta a capacidade de suporte dos pastos. No período das águas são 8 unidades/animal por hectare e, na seca, 2,5 UA/animal/ha. Na seca há ganhos de 250 gramas/dia aproximadamente e, nas águas, o ganho salta para média de 650 gramas/dia. Confinados ganham 1.250 quilo/dia.
No confinamento os animais recebem volumoso de silagem de capim e concentrado a base de sorgo e soja grão, além do núcleo mineral. ''Não tem ingrediente que não seja natural,'' avisa. O prazo médio é de 100 dias. Depois disso, os animais são vendidos para uma grande rede de supermercados. Merolla faz abate de precoces entre 30 e 32 meses e consegue um adicional de preço de 3% a mais na arroba. ''É um índice ainda pequeno, que tende a ser revisto, para compensar todo o trabalho.'' Esse animal, continua Merolla, tem uma rastreabilidade, do nascimento ao abate, e precisa ser mais valorizado.
A jornalista viajou a Uberlândia (MG) a convite do Sindicato Rural de Uberlândia.


