Pecuarista deve evitar super pastejo
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de janeiro de 2002
Cláudia Barberato 
Com as chuvas que ocorreram no final do ano e início de 2002 os pastos tiveram um bom desenvolvimento e ainda estão crescendo bem na estação, com oferta de alimento de boa qualidade aos animais criados no sistema extensivo. Nem por isso os pecuaristas devem exagerar e aumentar o número de animais por área evitando o super pastejo. O alerta é do pesquisador da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande (MS) Keppler Euclides Filho.
Embora as pastagens estejam em boas condições agora é hora de pensar também no período de seca que virá pela frente. Nas áreas de pecuária extensiva, sobretudo no Centro Oeste, a partir de fevereiro/março as chuvas vão se reduzindo e começa a diminuir a umidade do solo. As chuvas só voltarão ao normal a partir de outubro.
Reservas para a seca De acordo com Keppler Euclides a partir de março os pastos têm sua última etapa de crescimento. O pecuarista não deve se descuidar da situação das pastagens e planejar sua atividade com uma visão de longo prazo. O pesquisador aconselha que não se faça uso intensivo dos pastos do fim de janeiro em diante para que se possa ter um reserva de alimentos para a entrada da seca.
Dependendo da espécie do capim e da região onde está a pastagem o importante é não exagerar no número de animais por área. O indicado é não deixar que o pasto fique abaixo de 20 a 30 centímetros do solo e antes disso tirar os animais da área que deve ser dividida em piquetes para que aconteça um pastejo escalonado.
O gado não pode pegar vento no casco, avisa o pesquisador, numa referência a um ditado muito popular entre os pecuaristas de que o boi não deve pegar vento na canela. Por aí, continua o pesquisador, já dá para ter uma noção de quantos animais colocar por área e por quanto tempo esses animais devem ficar no pasto.
No caso de manejar brachiárias por exemplo, a partir de final de fevereiro e início de março, a pesquisa orienta fazer o chamado pastejo diferido ou o chamado feno-em-pé, não permitindo que os animais pastoreiem no local. O manejo consiste em reservar áreas de pasto para a entrada do período seco que servirão de alimento aos animais durante o inverno quando a produção de capim é escassa. No verão o boi ganha mais peso se puder selecionar o que vai comer. No inverno, ele se mantém se tiver o que comer.


