''A pecuária do Paraná tem que mudar. Ela precisa se tornar tão competitiva quanto a agricultura''. A afirmação é do zootecnista Geraldo Moreli, da Emater de Arapongas (37 km a Oeste de Londrina). Moreli foi um dos palestrantes do Seminário Nacional da Produção de Carne com Qualidade, realizado esta semana durante a 2 Eurozebu, em Londrina. Ele apresentou o diagnóstico da pecuária de corte do Paraná. A Eurozebu, que termina amanhã, é promovida pela Sociedade Rural do Paraná e reúne agentes da cadeia produtiva da carne.
No Paraná, de acordo com Moreli, é preciso incrementar a adoção de tecnologias para tornar a pecuária mais competitiva. O rebanho estadual é de 10,4 milhões de cabeças, o que representa 6,21% do rebanho nacional. Deste total, segundo Moreli, apenas 30% a 40% são criadas num sistema mais tecnificado, atendendo as exigências de mercado.
Entre os principais gargalos da pecuária parananese, o zootecnista cita a baixa lotação de animais por área e o abate tardio. A idade média de abate está em 36 meses, enquanto que em rebanhos tecnificados o índice é de 24 meses para animais precoces e 14/15 meses para os superprecoces. O abate tardio, explica, resulta em carne de baixa qualidade e foge aos critérios exigidos pelo mercado. Na lotação das pastagens a média é de 1,45 unidade animal/ha, superior ao índice nacional de 0,9 ua/ha. Mesmo assim, abaixo dos 3 a 4 ua/ha recomendado para tornar a pecuária eficiente.
Nos últimos dois anos, a área destinada à pecuária no Brasil vêm cedendo espaço para a agricultura. No Paraná não é diferente. Segundo estudos da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), a troca soma 17%. Para Moreli, no entanto, essa redução não deve ser vista como ponto negativo para a atividade. Deve servir de incentivo à organização de todo o processo criatório e a busca de maior eficência em menor espaço.
Outro dado divulgado pela Scot mostra que de 2001 a 2003 enquanto a área de pastagem caiu 2,74%, o rebanho cresceu 6,7%, saindo de 176,39 milhões de cabeças para 188,27 milhões de cabeças. ''Não é o tamanho da área que resulta em eficiência, mas os investimentos no manejo do rebanho'', reforça.
Além da organização e planejamento da atividade, o pecuarista, para o zootecnista da Emater, precisa buscar melhores resultados ''da porteira para fora''. Ele comenta que a existência de poucos frigoríficos faz com que os criadores aceitem condições de venda pouco rentáveis.
Moreli critica o trabalho individualista que caracteriza o criador de gado. ''Em grupo o pecuarista teria maiores condições de se inserir no mercado sem a dependência das indústrias'', aconselha. Ela cita experiências bem sucedidas como as alianças mercadológicas de Guarapuava, Paranavaí, Loanda e Umuarama. Ou ainda a nova modalidade de comercialização implantada pela Corol Cooperativa Agroindustrial.

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