O presidente do Núcleo dos Criadores de Simental da Região de Maringá, Wilson Pulzatto, diz que o futuro é o cruzamento industrial, utilizando vacas nelore como base e touros simental, raça com a qual trabalha. Porém, ele não limita a participação do europeu ao simental porque, entende, essa estratégia é ‘‘boa na sua extensão’’, como um todo, em todas as raças’’.
‘‘Desde que se faça o cruzamento do zebu com o europeu, você está na direção certa. Eu faço o simental, por opção; faço gado puro e toda a minha pecuária vive do cruzamento de nelore com simental’’, acrescenta. Pulzatto possui até uma central de transferência de embriões, e tem, no cruzamento touro simental-vaca nelore ‘‘um melhor aproveitamento, um melhor resultado’’. Explica que o meio-sangue simental torna-se, para ele, a parte mais rentável do processo. ‘‘Quase todas as raças convergem para a utilização da fêmea meio-sangue simental, em função da habilidade materna. Este é o motivo de sermos criadores da raça simental. Porém, jamais deixando de analisar o cruzamento com todas as raças. Todo cruzamento, com todas as raças, traz bom resultado’’, enfatiza Wilson Pulzatto.
Os caminhosA pecuária paranaense, sugere Pulzatto, deve ser praticada nas regiões adequadas. Por exemplo, as áreas não aproveitáveis para grãos, as mais montanhosa, devem ser dedicadas à cria; as partes mais nobres, como o Norte de terra roxa e o Arenito, destinam-se em maior parte à pecuária de engorda.
Josoé de CarvalhoWilson Pulzatto: futuro da pecuária é o novilho precoceQuando a pecuária busca o cruzamento industrial, explica o criador, o crescimento do gado de elite é grande, e segue estes caminhos: o tradicional, que é a cria, nas regiões mais frias e ‘‘quebradas’’; nas regiões mais nobres, a engorda ‘‘e, principalmente na terra roxa, o gado puro, o gado PO, tem crescimento muito grande.’’
Triângulo mineiroEssa região de Minas, tradicional centro de zebuínos, começa a aceitar o gado de origem européia. No ano passado, uma fêmea pertencente a Wilson Pulzatto ganhou, em Uberlândia, o título de campeã nacional da raça simental, durante congresso internacional da raça, que reuniu criadores de 17 países.
Uberlândia tem há tempos gado europeu, mas em Uberaba, a ‘‘Capital do Zebu’’, só recentemente começou a pisar a pata do ‘‘europeu’’. Embora o Triângulo Mineiro seja a região do zebu, Uberaba mesmo já faz uma feira intermediária, usando cruzamento como demonstração. ‘‘A pecuária caminha para o cruzamento industrial, que é velocidade no abate, e isso se faz através de zebu cruzado com europeu. Em 20-24 meses o animal está acabado. E como grande centro de pecuária, Uberaba não podia ficar alheia a essa realidade’’, explica Wilson Pulzatto.
Europeu e calorO presidente do Núcleo Regional dos Criadores de Simental da Região de Maringá contesta uma idéia generalizada, entre os leigos, de que o clima é um fator limitante do desenvolvimento das raças européias emm regiões setentrionais.
Contradizendo, Pulzatto diz que o forte de sua pecuária é Mato Grosso do Sul, ‘‘ nde é calor’’. ‘‘Hoje tenho 105 reprodutores simental, fazendo a cobertura em 3 mil vacas nelore, a nível de pasto, e tenho certeza de que o clima não influi. É uma questão apenas de conduzir ao animal; do manejo’’, acrescenta Pulzatto. Tanto que na fazenda no município de Ribas do Rio Pardo seu rebanho teve 84% de prenhezes e o repasse dos animais é 100% touro simental, e inseminação. Em Naviraí, também em região quente, o índice de prenhezes subiu para 87%.
Em vista dessa experiência, o simentalista tranquiliza o criador de gado europeu em geral: ‘‘Que não haja preocupação quanto à produtividade do europeu, no Norte ou Sul, pois em todo o Norte do Paraná, Sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul o animal é produtivo. É apenas uma questão de saber trabalhar o animal’’.
Ele dá exemplos de manejo: ‘‘No período de sol quente, nem o nelore acompanha a vaca. Se ficar três-quatro meses na pastagem, e não tirarmos o reprodutor para um descanso, ele também se tornará um animal inviável. Todos os animais, quanto melhor a genética, quanto mais puro for dentro da raça, requer um manejo. Isto é, precisa ter sempre mais animais, para ter sempre em forma os machos, para acompanhar as vacas. Durante o calor não acompanha, mas à tardezinha, a noite toda, de manhã, ele acompanha. Coloca cinco animais, o que cobre mais emagrece. Aí pega o animal mais cansado, põe em outro pasto, coloca com as vacas o mais descansado. Isto se chama manejo. Outra coisa importante: carrapato e mosca-do-chifre. Nem sempre se pode ter os animais num lote de vaca, se não levar para as mangueiras para dar um banho. O touro, preocupado e incomodado pelos parasitas, não acompanha as vacas. Isso também é manejo. Esse é um cuidado que o pecuarista tem que ter.’’DivulgaçãoParati W.P., campeã nacional da raça simental, em Uberlândia (MG), em 1998Jota Oliveira

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