Pecuária: mais uma campanha difamatória
Não pode ser considerada surpresa a decisão do Canadá de proibir a importação de carne bovina do Brasil. Há um histórico bastante contundente de barreiras, tarifárias ou não, utilizadas em todo o mundo por nações preocupadas em não perder espaço para o produto brasileiro.
Primeiro foi a febre aftosa. Movimento liderado pela União Européia, responsável pela exportação de mais de 2 milhões de toneladas de carne bovina/ano, que objetivou degradar a imagem da nossa carne em todo o mundo. Depois foram os anabolizantes. Mais uma vez a UE propagou pelos cinco continentes que o Brasil usava promotores de crescimento ilegais em seu rebanho e que a qualidade da carne estava prejudicada por isso. (Ressalte-se que o uso de anabolizantes naturais e sintéticos está proibido no País desde 1991. (Portaria 51, de 24.05.1991)
Mais uma vez a aftosa. A doença voltou a ser alvo de protestos no exterior, devido à qualidade da vacina nacional. Oras, temos, comprovadamente, a melhor vacina contra febre aftosa produzida no mundo, o que tem colaborado, decisivamente, para a obtenção dos excelentes resultados nas campanhas de imunização dos bovinos. A seguir, a pressão internacional foi contra os aditivos utilizados nas rações animais. O movimento também começou na União Européia e constou de insistente divulgação de que o País usava tais promotores de crescimento na pecuária, o que é uma inverdade.
Em todas estas iniciativas, a pronta resposta do Brasil tratou de calar as campanhas difamatórias. Mas o arsenal é interminável, como vemos agora no caso do Canadá. Bastou o Brasil entrar para o grupo dos maiores exportadores que o Canadá, que compra apenas US$ 5,5 milhões/ano em carne industrializada produzida por nós, vislumbrou a oportunidade de degradar nossa imagem no mercado mundial, curiosamente no momento em os dois países disputam assento a assento o comércio de aviões de porte médio.
Mas, tão rápidos como iniciaram a campanha difamatória contra a carne bovina brasileira, os canadenses sabem muito bem quando partir em retirada. E é isso o que eles pretendem ao marcar a vinda de uma missão de técnicos para inspecionar o controle sanitário dos nosso rebanhos. Poderia o Ministério da Agricultura levar os especialistas do Canadá para o Centro-Oeste e deixá-los em contato direto com os projetos pecuários da região durante uma semana. Sob o sol escaldante, eles verão que o boi brasileiro só se alimenta de capim e sal mineral, sendo, portanto, verde, como o Brasil diz que ele é.
Porém, tenho a sensação de que, resolvido esse problema com o Canadá, não demora em aparecer outra campanha contra a nossa pecuária. Talvez esteja na hora de tomar atitudes sérias. Não participar do Encontro das Nações das Américas, programado para abril no próprio Canadá, seria um sinal claro da posição brasileira. O que não se pode mais é permitir que fiquem brincando com a dignidade dos 4 milhões de pecuaristas brasileiros, que se esforçam para bater recordes de produtividade.
O autor é presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan)





