Maringá - A possibilidade de exportar carne para a China deixou os pecuaristas animados esta semana, mas a maioria ainda espera uma posição mais firme do governo brasileiro para os programas de qualidade do produto. A exigência da rastreabilidade do animal, por exemplo, não deve ser mais adiada, defendem alguns pecuaristas. ''Já que queremos ganhar mercado temos que investir na qualidade'', diz o presidente do Núcleo dos Criadores de Nelore de Maringá, Edi Vieira.
Apesar de almejar mais o mercado europeu do que o chinês, Vieira acredita que o novo mercado para exportação vai contribuir com o setor. Ao aumentar o mercado, explica ele, aumenta também a competitividade e o preço da carne tende a subir.
Vieira vislumbra um ano bom para a pecuária no Brasil, e diz que em 2003 a meta do Núcleo dos Criadores de Nelore é incrementar a produção e comércio de boi verde. Atualmente, o núcleo de Maringá conta com cerca de 200 associados e pelo menos 50 já estão integrados ao Programa de Qualidade do Boi Verde. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o programa está mais difundido. ''O boi verde tem um carne de muita qualidade, mas exige investimentos por parte do pecuarista e por isso é preciso um preço diferenciado'', adianta ele.
A questão do preço garantido ao pecuarista é a principal dificuldade para o crescimento na produção de boi verde no Paraná. Segundo Vieira o mercado internacional paga mais de US$ 30 a arroba do boi verde, mas o pecuarista brasileiro não recebe esse valor. ''O consumidor exigente paga mais caro pelo produto porque sabe que está adquirindo uma carne sadia, mas nem sempre o pecuarista recebe mais'', diz.
Além do baixo preço pago ao pecuarista o crescimento do boi verde no Paraná ainda não é expressivo porque 70% do rebanho tem cruzamento com outras raças.
Vieira defende a abertura de novos mercados externos, mas disse que o governo federal precisa definir como será o programa de combate à fome. ''A possibilidade de exportarmos carne para a China será ótima, mas é preciso avaliar como a China vai nos pagar e o governo federal precisa ficar atento limitando talvez a quantidade na exportação para evitar que venha faltar carne no Brasil''. De acordo com o pecuarista, o acordo com o mercado chinês tem que ser claro e vantajoso. ''Não adianta os chineses quererem nos pagar com radinho de pilha'', compara.
Ainda demora Para o diretor de exportação do Frigorífico Amambaí, de Maringá, João Martins, a possibilidade de um novo mercado externo para a carne é sempre boa. Ele entretanto, acredita que as exportações para a China ainda devem demorar para acontecer. ''Ainda falta um acerto das diplomacias, que deve levar algum tempo para ser concretizado'', diz. Segundo ele, os preços internacionais da carne ainda estão deprimidos em função do clima anti-guerra na Europa e países Árabes. Além disso, acrescenta Martins, em toda Europa este é um período de renovação de licenças aos pecuaristas e como as licenças têm custo, o setor deverá enfrentar dificuldades na questão do preço da carne.

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