A retomada no setor de proteína animal
O primeiro semestre de 2017 foi o mais desafiador da história da proteína animal no Brasil. Enfrentamos uma crise de imagem sem precedentes. As investigações da Operação Carne Fraca – embora legítimas e necessárias – colocaram um foco de desconfiança em toda a cadeia. Por uma série de equívocos nas divulgações da Polícia Federal, milhares de famílias cooperadas, nas principais regiões produtivas do País, foram prejudicadas. É o caso de Londrina e de outros tantos pontos do Paraná, líder nacional na produção de carne de frango.

Mas é nos momentos de crise que nossas maiores virtudes se sobressaem. Para retomar filões suspensos de mercado e reforçar a qualidade do nosso produto, promovemos um intenso trabalho conjunto que deu resultados. Hoje, quatro meses após as primeiras denúncias, verificamos níveis de exportação próximos ao período anterior à operação. Em junho, os embarques brasileiros de carne suína foram superiores no comparativo com o mesmo mês do ano anterior, enquanto o comércio exterior de aves segue com uma média maior ao desempenho geral de 2016.

O saldo dos embarques de carne suína no primeiro semestre aumentou 28,5% em relação ao mesmo período no ano passado. Foi o melhor desempenho cambial semestral dos últimos cinco anos. O resultado foi obtido mesmo com leve queda no volume embarcado (-2,8%) – o que comprova a credibilidade do nosso produto. A carne de frango seguiu no mesmo caminho. Superou em 5,9% os embarques dos seis primeiros meses de 2016, totalizando US$ 3,585 bilhões.

O Paraná tem um papel decisivo nessa retomada. No primeiro semestre, o Estado registrou aumento de 9% no faturamento com as vendas de carne de frango para outros países, o equivalente a U$$ 1,252 bilhão. É mais de um terço da receita total que o País obteve com as exportações do produto no período. O resultado foi obtido mesmo com queda de 4% no volume embarcado. Foram 774 mil toneladas, no total. O desempenho cambial nos embarques de carne suína – segmento no qual o Estado é o 3ª colocado no ranking nacional – aumentou 30% em relação aos seis primeiros meses de 2016, chegando a US$ 111 milhões.

Há espaço para crescer mais. Neste momento de recuperação da confiança no mercado, precisamos mais do que nunca da mobilização de todos os elos da cadeia produtiva – produtores, técnicos, empresários, lideranças setoriais e autoridades. O Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), no final de agosto, em São Paulo, é uma grande oportunidade para reunir o setor em torno das principais questões da atualidade. Serão mais de 100 expositores e cerca de 70 palestrantes de toda a América Latina, Estados Unidos e Europa. Na abertura, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, falará sobre o cenário global e as novas tendências de mercado.

É hora de união. União para valorizar a gigantesca maioria de produtores honestos deste país. União para mitigar riscos e garantir que Londrina, o Paraná e o Brasil sigam firmes nesta retomada, com a força do trabalho e o compromisso com o desenvolvimento.

Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e ex-ministro da Agricultura

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