PECUÁRIA EM DESTAQUE
Evolução genética: grandes mudanças, novos desafios
Vivemos uma constante transformação e na área da genética de bovinos leiteiros não é diferente: a cada dia recebemos mais informações que deverão ser processadas e utilizadas como ferramentas de trabalho, dentro de um programa de melhoramento genético.
Há alguns anos éramos acostumados a ver um touro no topo da lista do TPI (índice de seleção que possui pesos de importância relacionados com um mercado de leite típico dos Estados Unidos), por consecutivas mudanças de provas. A velocidade do melhoramento era muito menor, não tínhamos a tecnologia genômica. Hoje, o dinamismo com que surgem novos e melhores touros é incrível. A intensidade de seleção é cada vez maior e o intervalo entre gerações cada vez menor. Os touros permaneciam por muitos anos, até mais de décadas, sendo utilizados como reprodutores. Isso aconteceu com grandes touros da história como Arlinda Chief, Tradition, Chief Mark, Blackstar, entre outros.
Por mais estranho que pareça, a era genômica e toda essa aceleração atual, causam certa frustração em muitos técnicos ainda acostumados com a maneira antiga. A falta de conhecimento de novos pedigrees e as constantes mudanças nos rankings dos touros decepcionam. Daí a necessidade de atualizarmos os conceitos e identificarmos quais realmente são importantes.
Vale lembrar que as avaliações lineares foram e ainda são fundamentais no estabelecimento da população-base para a validação dos marcadores moleculares. Na verdade, há um consenso de que as coisas estão se tornando mais transparentes e, para quem acredita e utiliza estas novas ferramentas, não há dúvida de que podemos, a cada dia, promover um melhoramento genético muito maior nos rebanhos leiteiros.
Por muitos anos foram atribuídas à longevidade de vacas as características de tipo, principalmente sistema mamário e pernas/pés. Na verdade, oficialmente, não tínhamos nas provas informações como as atuais, de características extremamente correlacionadas à longevidade de vacas, como Vida Produtiva (PL), Taxa de Fertilidade de Filhas (DPR), Habilidade de Parto (CA), dentre outras. A característica PL, por exemplo, foi incluída nas provas de touros somente em 1994. Além disso, são características de alta correlação com fatores financeiros.
Todas as tendências e mudanças citadas transformam-se em grandes desafios para os técnicos. O objetivo é justamente colocar em prática todo este conjunto de informações, que é a prova de um touro, de modo a contemplar os objetivos do criador. Com a acurácia que temos nas provas de touros, podemos moldar a vaca que estaremos ordenhando no futuro. Nós podemos escolher o caminho a ser seguido.
Mas não basta apenas conhecer provas de touros; é preciso saber usá-las. Além disso, é importante conhecer muito bem a propriedade que atendemos e, principalmente, os objetivos dos proprietários. Muitos deles não possuem sequer ideias preestabelecidos. Muitos escolhem touros que não contemplam seus objetivos ou, até mesmo, que sejam totalmente contrários ao que ele quer ou diz que quer. Produtores vizinhos podem ter objetivos diferentes e, por isso, não há uma regra geral na construção de planos genéticos.
Temos que usar todas as informações possíveis e torná-las condizentes com os objetivos traçados. Com certeza, fazer com que os animais produzam mais e pelo maior tempo possível, deverá ser o principal objetivo por todo o mundo.
Ricardo Bertola é engenheiro agrônomo e especialista em Produção de Gado de Leite





