A mosca-dos-estábulos é comum em todo o País e se alimenta de sangue de vários animais, principalmente equinos e bovinos, além de animais silvestres e, eventualmente, o homem. Os bovinos são os mais afetados, com perdas de 10% a 30% no ganho de peso e até 50% de redução na produção leiteira. Estima-se que os prejuízos causados por esta mosca no Brasil atinjam US$ 350 milhões anualmente.
Embora as infestações sejam mais comuns em gado de leite, devido ao desenvolvimento das larvas da mosca em resíduos de alimentos e dejetos animais acumulados nas propriedades, surtos da mosca-dos-estábulos têm sido cada vez mais frequentes também em gado de corte.
Nos últimos três anos, mais de 15 surtos foram registrados em sete municípios de Mato Grosso do Sul, além de cidades em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. As usinas são frequentemente apontadas como a causa dos surtos, razão pela qual também se juntaram aos pecuaristas no combate a essa praga. Não existe solução para o problema no curto prazo, mas a Embrapa tem pesquisado tecnologias que permitam prevenir ou reduzir o problema.
A torta de filtro e a palha da cana misturada com a vinhaça ou vinhoto são os principais locais de desenvolvimento e multiplicação de moscas nas usinas de cana-de-açúcar. É importante ressaltar que resíduos de suplementação alimentar, misturados com dejetos animais, são excelentes ambientes de desenvolvimento da mosca nas propriedades pecuárias, proporcionando a reinfestação dos rebanhos e servindo de fonte de dispersão das moscas para multiplicação nas usinas. Além disso, nos últimos anos, vários surtos têm sido decorrentes do uso inadequado de adubos orgânicos.
Assim, o manejo sanitário nas propriedades pecuárias é fundamental ao controle da mosca. Para o pecuarista, a recomendação principal é a remoção e o adequado destino dos resíduos alimentares e dejetos animais espalhados ao redor dos cochos, leiterias, etc. Uma sugestão é a compostagem dos resíduos, com posterior utilização como adubo. Ações complementares incluem também o controle de vazamentos e drenagem do terreno para evitar empoçamentos, particularmente próximos a cochos.
Por outro lado, o controle da mosca nas usinas demanda ações de manejo cultural específicas nas áreas de plantio de cana. Algumas das principais medidas a serem adotadas nos canaviais incluem a redução do volume de vinhaça por hectare, recolhimento da palha antes da aplicação de vinhaça, enterrio da palha após a fertirrigação e enleiramento com posterior revolvimento da palha. Estas medidas visam aumentar a absorção da vinhaça e das águas de chuva pelo solo e diminuir umidade.
A aplicação de produtos inseticidas comerciais apresenta resultados variáveis no curto prazo, sendo economicamente inviável em médio e longo prazos. Outra linha de ação é o uso da queima profilática da palha residual pós-colheita, mas são necessárias autorizações nos órgão competentes. Cabe ressaltar que para um combate eficiente da mosca, fazendas e usinas deverão trabalhar em conjunto.

Paulo Cançado e Thadeu Barros são pesquisadores da Embrapa Gado de Corte

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